Lola e Benjamin | Capítulo 2

2 anos atrás

A nossa história não é um clichê romântico – até suspeito que falte romance. Não começou em uma festa, não fomos introduzidos por amigos em comum e nem foi uma paixão avassaladora logo nas primeiras 48h. Mesmo assim, é a nossa história. Tem eu e Benjamin e isso já é o suficiente. Provavelmente, começou em uma terça ou quinta-feira, em uma aula do curso de fotografia. Também é bem provável que nenhum de nós imaginasse aonde tudo aquilo iria dar, afinal de contas, éramos apenas simples colegas desconhecidos.

O curso tinha duração de dois meses e até a quinta semana não tínhamos trocado mais do que “oi” e “tchau”. Por algum motivo, eu sempre me sentava ao lado de Benjamin. Até aquela quinta semana, eu mal sabia o que ele fazia da vida, mas tinha a leve impressão de que ele era daqueles meninos bobos que não fazem nada muito produtivo e o único relacionamento sério que tem é com a balada nos fins de semana. E, considerando que eu tinha acabado de sair de um relacionamento desastroso, tudo o que eu não queria era mais gente complicada. Mesmo assim, tinha algo que me intrigava nele e me atraía de uma forma estranha.

Eu me lembro tão nitidamente do dia em que tivemos nossa primeira verdadeira conversa, que parece ter sido ontem. O professor nos orientou a fazer o trabalho final do curso em dupla e, como sempre, eu estava sentada ao lado de Benjamin, então decidimos fazer juntos. O trabalho era bem livre, tínhamos apenas que escolher uma temática e fazer um conjunto de pelo menos dez fotografias, sendo todas de acordo com a teoria que tínhamos aprendido durante aquelas semanas.

Começamos a conversar e, quando viramos de frente um para o outro, pude perceber que sua camiseta tinha a estampa de um dos meus filmes preferidos: “Meia Noite em Paris”. Confesso que fiquei com medo do que aquilo poderia significar, mas achei melhor ignorar possíveis sinais. Decidimos que nossa temática seria focada em fotografias vintage e foi nítida a nossa empolgação com o trabalho. Combinamos de nos encontrar no fim de semana para começar a organizar os detalhes, escolher os locais e sair para fotografar o quanto antes.

Quando saímos da aula, ainda ficamos conversando um pouco e descobri que, afinal, ele não era tão bobo quanto parecia. Provavelmente o que me passou essa impressão foi o jeito meio desleixado do Benjamin que, mais tarde, descobri que ninguém no mundo é capaz de mudar. Meio largadão, às vezes parece que ele vive em uma outra realidade, sem se preocupar com nada ou ao menos se dar conta das pessoas que o rodeiam. O cabelo dele sempre teve uma cor indefinida para mim, mas, naquele dia, estava mais para o castanho claro, que combinava perfeitamente com os olhos também castanhos e a barba por fazer.

Conversamos tanto que acabei perdendo a hora. Descobri que ele estava cursando o terceiro ano de administração, mas o que ele realmente queria agora era focar na sua verdadeira paixão: a fotografia. Naquele dia, só consegui descobrir isso e contei que também estava no terceiro ano, só que de psicologia, e fazia o curso porque fotografia era um hobby. A nossa diferença era que a minha verdadeira paixão, além da psicologia, sempre foi escrever.

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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