Lola e Benjamin | Capítulo 4

Ficamos no bar até umas 23h, pois Benjamin precisava ir para a despedida de um amigo que ia fazer intercâmbio. Ele me chamou para ir junto, mas é claro que eu recusei. Primeiro porque eles iam a uma festa muito esquisita, que não fazia nem um pouco o meu estilo. Segundo porque eu ia morrer de vergonha de aparecer lá sem conhecer ninguém.

O tempo que ficamos no bar foi muito gostoso, mas não conseguia relaxar totalmente porque uma voz na minha cabeça ficava berrando que aquilo era a maior furada da minha vida. Mesmo assim, foi impossível negar a conexão que havia entre nós.

Benjamin me deixou em casa e quando fomos nos despedir aconteceu aquele momento estranho em que a gente não sabe se dá um beijo na bochecha ou na boca. Eu garanto que fui para a bochecha, mas ele veio na direção da minha boca e então, não conseguimos resistir e nos beijamos. Saí do carro me sentindo em outro planeta. Por motivos até então inexplicáveis, aquele tinha sido um dos melhores beijos da minha vida. Quando eu estava fechando a porta, ele me disse baixinho: “A gente se fala”. Naquela época, eu mal sabia que esse “a gente se fala” podia significar amanhã ou em um mês.

Feito uma adolescente boba de 15 anos, fiquei revivendo tudo o que tinha acontecido naquela tarde, achando que estava prestes a viver um romance incrível. Esse é o problema das pessoas românticas. Não importa quantas vezes elas quebrem a cara, nunca deixam de acreditar no amor. Nunca deixam de acreditar que na próxima vez vai ser diferente. E eu acreditei que ia ser diferente com Benjamin, acreditei muito mais do que devia.

Acordei no dia seguinte achando que íamos nos encontrar para tirar as fotos. Não tínhamos realmente combinado um horário nem nada, mas pelo o que eu me lembrasse tinha ficado algo no ar. O normal seria ele me ligar ou mandar uma mensagem, mas nada. Depois das 18h resolvi desencanar e fui ao parque correr.

Enquanto corria ficava pensando em toda a situação que estava se criando ao meu redor. Alguns dias atrás, Benjamin era só um simples colega do curso de fotografia e agora já ocupava meus pensamentos em pleno domingo. Ao mesmo tempo em que estava inconformada com a atitude dele, não fiquei surpresa. Era óbvio que ele tinha enchido a cara no dia anterior e nem se lembrava da minha existência. Ou pior, se lembrava e não queria me procurar mesmo assim. De qualquer forma, por ora, resolvi ignorar a situação, pois sabia que iríamos nos encontrar no curso e então ele não teria como escapar.

Na terça-feira, cheguei ao curso quase meia hora atrasada. Ele já estava lá e, como sempre, me sentei ao seu lado. Dei oi baixinho, pois o professor estava dando um atendimento geral sobre o trabalho, e Benjamin respondeu com um sorriso. Quando a aula terminou e ficamos conversando em frente ao prédio, Benjamin começou a falar sobre a festa que tinha ido no sábado e como tinha sido “loucura”, segundo ele. Acho que a minha cara me denunciou porque ele logo perguntou se estava tudo bem.

— Vamos fazer as fotos no sábado? E podemos sair depois! — ele disse, aparentemente tentando amenizar a situação.

— Acho que pode ser! — respondi.

— Bom, vou indo Lola! A gente se fala! — Benjamin falou e me deu um beijo rápido na boca.

Fiquei sem reação. Só consegui dizer tchau e ficar feito boba olhando ele ir embora. “A gente se fala”, pensei.

Anúncios

Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s