Fim sem término (2)

Primeiro capítulo aqui.

Um bom tempo já tinha se passado, mas, de alguma forma, Clara sabia que seus sentimentos continuavam intactos. Fazia um mês que não trocava uma palavra com Gabriel. Não sabia se ele ainda gostava de tomar chá gelado ou se continuava grifando seus livros enquanto lia. Ela era dominada por uma sensação estranha de saber que ele andava solto por aí, mas sem ter ideia do que ele fazia ou com quem passava os fins de semana.

O dia em que se reencontraram foi marcado por olhares demorados e extremamente pesados. Clara não conseguia decifrar se estava imaginando coisas, ou se ele ainda sentia o mesmo que ela. Por mais que quisessem, não conseguiam se tratar com normalidade. Era como se uma grande barreira tivesse se instalado entre eles.

Até que chegou o momento em que finalmente conversaram. Foi mais difícil do que imaginavam. Tinham tanto a dizer, mas falavam muito pouco. Queriam tanto se tocar, mas tinham receio de se machucar.

— Gabriel, preciso saber o que você sente por mim! Até hoje tenho a sensação de que não terminamos, e não sei o que fazer em relação a isso! Não consigo seguir minha vida, porque sinto que você também gosta de mim! — Clara perguntou, enquanto Gabriel comia um pedaço do seu temaki de salmão.

Gabriel ainda hesitou por alguns segundos. Engoliu o temaki e começou a dar a volta ao mundo para explicar o que sentia.

— Clara… Penso tanto se devíamos ou não voltar, se fizemos ou não a coisa certa. Sinto o mesmo que você, mas não vejo como voltar atrás, não vejo como continuarmos o que decidimos interromper lá atrás! — Gabriel respondeu.

— Então, você não sente mais nada por mim? — Clara falou baixinho.

— Sinto. Tenho tanta vontade quanto você, mas acho que não podemos fazer isso! — ele disse.

— Isso não faz sentido nenhum! — Clara dizia com os olhos cheios d’água — Nós não terminamos, você sabe disso! Eu ainda te quero e sei que você me quer também! Isso não está certo, quando as pessoas terminam elas não devem mais se querer dessa forma!

Saíram do restaurante. Clara já não falava muito. Não tinha ido em busca de uma retomada do relacionamento, mas procurava um alívio para suas aflições, para o seu medo de não conseguir colocar um ponto final em sua história com Gabriel. Talvez, esse alívio chegasse se ele dissesse que não a queria mais. Só que esse não era o caso, e saber que o sentimento persistia, de certa forma, impedia-os de seguir em frente.

Novamente, caminharam em uma noite chuvosa de terça-feira. Lado a lado. Clara sabia que, mais uma vez, estavam colocando um fim em algo que teimava em não terminar. Gabriel ainda tentava argumentar seu ponto de vista racional, mas Clara já não dava a mínima para as suas palavras.

Quando finalmente pararam em frente ao carro de Gabriel, mais uma vez era a hora de se despedirem.

— Eu não quero me despedir! Eu não quero continuar com isso… — Clara disse chorando.

— Você tem que ser forte! Acredita em destino, não é mesmo? Se for para ficarmos juntos, vamos ficar! Só que não agora… — Gabriel falou, enquanto abraçava-a.

Clara não se conformava em se despedir de Gabriel pela segunda vez sem conseguir colocar um ponto final naquela história. Eles se beijaram como se aquele não fosse o beijo mais difícil de suas vidas.

— Eu preciso ir, Clara! — Gabriel disse enquanto recuava.

Ele deu um beijo em sua bochecha e andou lentamente até o seu carro. Clara, mais uma vez, o viu desaparecer em uma terça-feira chuvosa, pensando como ele conseguia manter a compostura em uma situação daquelas.

“Não é possível, isso não está acontecendo”, Clara pensava ao mesmo tempo em que levava as mãos ao rosto. Estranhou quando percebeu que não caíram lágrimas. Pegou seu celular e discou o número da primeira pessoa que veio em sua mente. Depois de dois toque ouviu um alô do outro lado da linha.

—  Onde você está? Quero te ver! — Clara falou, e chamou o primeiro táxi que passou na rua. 

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

One thought on “Fim sem término (2)

  1. Uma estória emocionante que carrega inúmeras possibilidades de um reencontro definitivo e, consequentemente, um final feliz. Ou, pelas circunstâncias do tempo e das experiências que ambos tenham, a separação os iludam a desistir desse amor.
    O fato é que o amor exige maturidade daqueles que o encontram. Amar verdadeiramente uma pessoa é algo que marca a alma e jamais se apagará.
    O texto acima identifica bastante um pouco do que vivi. Para ser breve, aproximadamente 7 anos atrás eu agi como o personagem do texto e deixei a pessoa que eu amo sem existir um ponto final. Um fim, sem término.
    Por fim, uma coisa é certa, o amor entre duas pessoas, se verdadeiro, permanece, mesmo que suas vidas tomem rumos distintos. A distância ou qualquer fator que os separem um do outro não apagará o amor. Somente quando aprendi e senti a força desse sentimento que nasce em nós quando alguém o dispersa que sei o seu verdadeiro significado. Se o destino me desse outra chance ela saberia, ao olhar nos meus olhos, que sempre a amei. Que hoje posso amá-la profundamente mais! Ela se chama Re

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