Lola e Benjamin | Capítulo 7

Após o nosso primeiro encontro oficial naquela noite, foi quase que impossível manter os pés no chão. Eu sabia que deveria continuar alerta em relação a possíveis sinais de que Benjamin pudesse me machucar ou simplesmente sumir, mas meu coração stava gritando por ele.

De repente, parei para pensar em como tudo aquilo tinha acontecido. Em como eu realmente não estava esperando por todos aqueles acontecimentos, um atrás do outro. Tinha, cada vez mais, a sensação de que Benjamin seria uma pessoa muito importante na minha vida. Era como se, toda vez que eu o encontrasse, tivesse um letreiro gigante apontando para a sua cabeça: “Essa pessoa será muito importante!”. Mesmo assim, ao mesmo tempo, também tinha o pressentimento de que não seria fácil. A minha única certeza era de que eu não queria desistir.

O dia seguinte após o encontro foi estranho. Por mais que eu já soubesse de seu jeito desleixado, tinha a esperança de que ele estivesse com tanta vontade de falar comigo quanto eu estava de falar com ele. Aparentemente, ele não se importou com o fato de não nos falarmos e tive que me segurar o dia todo para não procurá-lo também.

Na segunda feira acordei com uma mensagem dele em meu celular.

“E aí Lola! Tudo bom??”

Fiquei alguns minutos pensando no que aquela mensagem poderia significar. Estava me parecendo um pouco indiferente depois do fim de semana, mas tentei não elaborar muitas teorias a respeito. Apenas respondi sem parecer empolgada, brava ou desanimada. De certa forma, comecei a jogar o jogo dele.

“E ai! Tudo certo, e com você?”

Assim que apertei o botão enviar, me senti estranha. Não queria parecer indiferente. Queria realmente conversar com Benjamin sem joguinhos. Fiquei 15 minutos olhando para o celular e nenhuma resposta, então resolvi desencanar. Quando me dei conta, o dia já tinha passado e nada dele responder. Comecei a ficar irritada, já não entendendo se era joguinho da parte dele, ou se realmente ele não estava nem ai.

Quase onze da noite, meu celular vibrou. Era ele.

“Tudo bem também! Nos vemos amanhã no curso?”

Ele realmente estava me perguntando se eu ia ao curso? Estava com uma leve preguiça de ficar nesse papo furado, e como ele demorou mais de 10 horas para me responder, resolvi fazer o mesmo. No dia seguinte de manhã, respondi que ia e ele logo falou que nos veríamos por lá então.

Cada vez mais, não sabia como agir com Benjamin. Ele era completamente diferente de todas as pessoas com quem eu já tinha me relacionado e, de maneira alguma, seguia o roteiro usual dos relacionamentos. Tinha a sensação de que as cenas estavam se repetindo: Benjamin com esse jeito esquisito e eu fazendo mil teorias quando, na verdade, para ele aquilo tudo era normal.

Às vezes, eu tinha a sensação de que estava criando coisas na minha cabeça e realmente ele não gostava nem um pouquinho de mim. O problema é que, ao mesmo tempo, sabia que nós já tínhamos uma conexão forte e diferente de qualquer outra. Eu sabia. A questão era se ele já sabia também.

Minha conclusão final naquele dia foi: Benjamin é a pessoa mais estranha que já conheci.

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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