Carta para os que não se declararam

Renan,

Já faz algumas semanas que deixei de te seguir no Facebook. Para falar a verdade, até pensei em deletar a minha conta, mas não achei que você valia tudo isso. Esses dias me peguei pensando em nós e deixei algumas lágrimas escorrerem. Já fazia muito tempo que eu não chorava por você, tanto tempo que até estranhei.

Parece que quando a gente chora, uma parte das nossas mágoas sai do corpo e limpa a alma, mas minhas dores continuam tão intactas que estou começando a deixar de acreditar nessa teoria. Enfim, foi chorando que decidi dar uma olhadinha no seu Facebook para ter certeza de que você ainda existia. Lá estava você. Última atualização: dias e dias atrás. Você continuava não ligando muito para o Facebook, e isso era tão a sua cara que me fez sorrir.

Comecei a descer o seu feed e te vi sorrindo nas fotos, do mesmo jeito que sorria para mim quando nos encontrávamos. Agora, você estava tão distante, que seu rosto não passava de uma memória. Fechei a janela do Facebook rapidamente quando comecei a ver fotos demais, e prometi que aquela tinha sido a última vez que eu me torturaria assim.

Mesmo assim, fiquei pensando em como o Facebook, aquela rede social aparentemente tão banal, hoje em dia era minha única conexão com você. Era, de certa forma, a única maneira que eu tinha para saber que você ainda existia.

Sabe, Renan, quando penso em nós e tudo o que vivemos, me dou conta de que teria feito tanta coisa diferente. Como naquele dia em que estávamos na cozinha do meu apartamento em Nova York, e você falou que não gostaria de estar em nenhum outro lugar do mundo naquele momento. Não sei por que não retribui suas palavras. Parecia tão errado querer ficar com você, que te deixei escapar assim…

Sei que já é tarde demais para falar qualquer coisa desse tipo, mas quando chorei por você, me dei conta de que ainda te amo da mesma forma que amei durante aqueles meses. E foi por isso que não consegui me segurar. Não consegui segurar tudo o que eu tenho guardado desde que me despedi de você. Não consegui continuar fingindo que estava tudo bem. Porque, na verdade, não está tudo bem e, por algum motivo, quero que você saiba disso.

Beatriz.

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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