Lola e Benjamin | Capítulo 8

Três meses já tinham se passado desde que tinha ficado com Benjamin a primeira vez. Finalmente, começava a entender como a cabeça dele funcionava, mas, infelizmente, não gostava muito do que estava descobrindo.

Benjamin continuava imprevisível e até, de certa forma, indiferente. Quando estávamos juntos, tinha certeza de que tudo caminhava da melhor forma possível, porém, quando nos separávamos, era como se ele se esquecesse de que eu existia.

Já fazia um tempo que tinha colocado na cabeça que não procuraria por ele, portanto, só nos falávamos quando ele ia atrás de mim. Desde que o curso tinha terminado, só conversamos umas duas vezes e, sempre que tentávamos nos encontrar, alguma coisa dava errada.

Por mais que eu gostasse muito de Benjamin, estava me conformando que, talvez, nossa história não fosse passar daquilo. O problema é que, por mais que eu quisesse acreditar que tínhamos chegado ao fim, continuava com a sensação estranha de que nossa história não iria acabar ali.

Em uma terça-feira comum, tive problemas para me concentrar em qualquer coisa, pois fiquei pensando o dia todo em Benjamin. Estava com saudades, mas sabia que não deveria procurá-lo. Comecei a dizer para mim mesma que não deveria esperar por mais por nenhum sinal dele e, enfim, deveria aceitar o nosso fim.

Cheguei em casa cansada demais para fazer qualquer coisa. Só queria jantar, tomar um banho e dormir. Ultimamente, dormir era a única atividade que me fazia parar de pensar. Assim que sai do banho, vi que meu celular estava tocando. Quando olhei para a tela, deixei o aparelho cair na cama de tanto susto: “Chamada de Benjamin”.

Esperei tocar mais duas vezes até ter certeza de que deveria atender.

— Alô? — eu falei assim que atendi.

— E ai, Lola! Tudo bem? — Benjamin respondeu com uma voz animada.

— Oi Benjamin! — dei uma pausa de três segundos para pensar no que dizer — Tudo bem sim, e com você?

— Tudo ótimo! Como estão as coisas? Cara, acabei de assistir um filme muito bom, você iria adorar! — Benjamin conversava como se não tivéssemos ficado dias sem nos falarmos.

Conversamos por mais de quinze minutos. Quando desliguei, me dei conta de que ele não tinha ligado com o intuito de falar alguma coisa específica. Ele simplesmente tinha me ligado para conversar, o que era muito estranho em tempos de WhastApp e Facebook. Mesmo assim, tinha gostado muito, pois fazia anos que um cara não me ligava no lugar de mandar uma mensagem.

No entanto, finalmente quando eu estava me conformando que aquela história não deveria ir para frente, Benjamin aparecia e fazia um nó na minha cabeça. De novo. No fim do telefonema, ele falou algo sobre sairmos no final de semana. Não coloquei muita fé em suas palavras, mas já sabia que não conseguiria negá-lo. Sabia que, mais uma vez, estava voltando para Benjamin.

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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