Se cobre menos, respire mais

Texto por Amanda Saviano

Outro dia alguém me disse que me cobro demais. Eu? Como assim “me cobrar”? Ouvi a explicação. Espero demais de mim, me torturo quando erro, me comparo demais com os outros. E isso é verdade. E o que tem de errado?

Demorei a compreender quão nocivo isso é. Aliás, demorei a compreender o que era isso. Todo dia acordava e me sentia pesada por não estar de acordo com o que havia planejado, ou com o sonho que havia idealizado. Temos essa mania de querer demais e achar que, porque ainda não atingimos, estamos inadequados.

Foram dias e dias achando que qualquer percalço era o fim do mundo, e me diminuindo a cada obstáculo que eu falhava em superar. O que me ajudou? Falar. Conversar. Ouvir. Ver que não sou só eu nessa, que TODO MUNDO – isso mesmo, TODO MUNDO em maiúsculo – sente isso, essa inequação e vontade de ser melhor. Não sei se é um misto de ansiedade e imaturidade, mas percebi como é comum nos cobrarmos.

Seja pelo emprego que tarda a aparecer, o relacionamento falho que cultivamos, a necessidade de algo maior que a rotina… nos torturamos. Não me compreenda mal: sim, é preciso estar insatisfeito para querer mudar, crescer, melhorar. Mas enquanto essas fases enriquecedoras não chegam, não podemos acordar e dar uma chicotada invisível nas costas.

Vou aludir àquele exemplo clichê. Sabe o jogador de futebol americano nos filmes adolescentes que ao final do colégio fica em dúvida sobre o que fazer? Seguir o sonho pessoal ou a vontade do pai? E ele, claro, segue o sonho e vive feliz para sempre. Mas quando nos cobramos, é como se seguíssemos com a vontade desse pai fictício e tivéssemos que conviver todo dia com esse peso.

Não pode ser assim. Hoje, de fato, o mundo exige mais e acabamos exigindo mais de nós mesmos. Mas que seja um exigir leve, um exigir que impulsione e faça você querer se desenvolver. Não um exigir pressionado e irritante.

Moral da história? Relaxe, não se cobre tanto. Acredite um pouco que quando a gente quer muito algo e se esforça para fazer acontecer, as coisas arrumam um jeito de se encaixar. Talvez não da maneira ou no tempo que você idealizou, mas quiçá melhores. Temos tempo para tudo, vai por mim, tranquilize-se e deixe rolar.

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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