O poder transformador do amor em “Brooklyn”

“Brooklyn” é um filme romântico com uma pitada de drama. Alguns dirão que é um drama com uma pitada de romance, mas ainda prefiro a primeira opção. A história gira em torno de Eilis, uma jovem que se muda de uma pequena cidade na Irlanda para morar em Nova York. O que parece ser um sonho, a princípio se torna uma experiência muito sofrida.

Tímida e recatada, é visível a sua dor por estar completamente sozinha em uma cidade desconhecida e com saudades de casa. Mas tudo começa a mudar de cena quando ela conhece Tony, um rapaz que logo se encanta pela jovem irlandesa. A nova paixão reacende uma faísca dentro de Eilis e ela finalmente começa a se sentir acolhida pela sua nova vida.

Eilis é um grande exemplo de coragem para a época em que se passa o filme. Ela sai de sua pequena cidade na Irlanda em busca de um sonho, de uma vida melhor. Alguns continuarão focando no drama que ela sofre ao se encontrar distante da sua cidade natal. Alguns continuarão dizendo que o filme é um drama com uma pitada de romance, mas não consigo enxergar por esse ângulo.

Talvez seja porque sou de uma geração que valoriza muito qualquer tipo de experiência de independência como a de Eilis. Para mim, a narrativa é focada na transformação e crescimento, e nada mais normal do que esse caminho ser permeado por um pouco de sofrimento. Assim, não vejo a história centrada no sofrimento da personagem por estar longe de casa. Vejo a história centrada no amor e não no drama. Amor esse que revigora e transforma a vida de Eilis. Amor esse que vem de Tony e da paixão que surge nela por uma nova vida.

Afinal de contas, talvez o sofrimento da personagem no início do filme seja a grande prova do quanto ela cresceu. Sou daquelas que acredita que vida sem sofrimento não é vida, pois precisamos de um pouco de dor para nos movimentarmos e sempre buscarmos algo melhor. Para mim, “Brooklyn” continua sendo um filme de amor nas suas mais diversas formas, apenas com uma pitada de drama. Talvez, se Eilis não encontrasse Tony, encontraria qualquer outra paixão para renovar seus sentimentos e seu apetite pela nova vida. A questão, afinal, não gira em torno de qual é esse tipo de amor, mas no poder que ele tem de transformar vidas.  

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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