A receita da sua felicidade é você quem faz

Não sei quem, algum dia, teve a ideia de decretar que se chegamos a certa idade e não estamos namorando, casados, ou apenas “arranjados” com alguém, somos infelizes. Para falar a verdade, tenho raiva de quem inventou isso, fazendo com que toda a nossa sociedade fosse pautada na ideia de que os solteiros são eternos desiludidos e infelizes com a vida.

Talvez sejam apenas impressões de uma garota observadora, mas tenho notado cada vez mais uma enorme quantidade de gente completamente insatisfeita com o fato de estarem solteiros lá pelos 20 ou 30 e poucos anos. Posso falar a real? Que preguiça disso tudo… Muitos deles me confessam que não se sentem assim em consequência da pressão da sociedade, e eu juro que acredito que eles realmente tenham esse sonho de ter alguém ao lado, e se sentem frustrados com a cama vazia todos os dias.

Mas posso ser mais sincera ainda? Tenho certeza de que a pressão da sociedade tem grande parcela de culpa nisso. Será que eles se sentiriam nessa obrigação de estarem arranjados se todo mundo não cultivasse essa cultura de que os solteiros são infelizes? Será que eles não estariam mais despreocupados em relação a isso se os filmes, livros, e tantos outros meios de expressão e comunicação não enfatizassem tanto na história do “felizes para sempre” ? Será que eles simplesmente não conseguiriam viver de forma mais leve se em toda reunião de família não fossem questionados sobre o assunto?

De verdade, respeito muito quem tem esse tipo de sonho. Quem sempre quis ter um namorado, um marido, filhos, uma família, e por ai vai. E respeito mais ainda quem se sente frustrado por não conseguir alcançar isso de alguma forma, afinal, não comandamos os sentimentos alheios. Não podemos obrigar que nos amem, que nos desejem, que queiram ficar com nós.

Mas eu ainda sou daquelas que acredita que tudo acontece do jeito que deve acontecer.  Ainda sou daquelas que acredita em destino e que nossos caminhos são traçados no momento em que damos nosso primeiro respiro nesse mundo. E isso me faz acreditar que tudo vai acontecer na hora certa, ou talvez você tenha que encontrar outra forma para ser feliz, afinal, a felicidade está em todos os cantos e, às vezes, só demoramos a entender isso.

Fico pensando no que dizer para essas pessoas que tem sonhos tão tradicionais, que sofrem com toda essa pressão, e tentam se iludir com a ideia de que não estão se sentindo pressionados. Tento procurar algo para dizer que acalme essas almas aflitas que procuram por um sossego,mas, sinceramente, não sei o que dizer. Às vezes, me parece que a minha voz não receberá devida atenção diante de todos os gritos da sociedade dizendo o que precisamos ter/ser para sermos felizes.

A verdade é que isso me dá muita preguiça sim.  Eu gosto de gente de personalidade. Gente que não tem medo de ficar sozinho, mas que também sabe se jogar num amor quando chega o momento certo. Gente que não tem medo de dizer que nunca vai querer se casar, mas não pensa duas vezes em mudar de ideia se no meio do caminho encontra alguém que desperta esse desejo. Gente que não tem medo de dizer “não”, quando toda a sociedade diz “sim”. Gente que é forte o suficiente para impor suas vontades, sejam elas aquilo que todo mundo já esperava ou algo completamente inusitado.

Talvez muita gente realmente precise se casar e ter uma família para ser feliz, até porque cultivamos essa ideia desde que assistimos aqueles filmes da Disney na infância. Mas eu ainda acredito que tem muita gente que não precisa disso para ser feliz, e essas pessoas não têm medo de se colocarem contra tudo o que alguém, num passado muito distante, decretou que era a receita da felicidade.

Novidade: a receita da felicidade é você quem faz. Ela pode estar na solidão ou na companhia. No apego ou no desapego. Na cerveja de sexta à noite ou no café de domingo à tarde. Não é fácil descobrir o que vai fazer parte da sua receita e nem garanto que será simples juntar todos os ingredientes. Mas o que eu posso afirmar com certeza é que se você não conseguir limpar a sua mente para ouvir apenas a sua voz, a sua receita se transformará na da infelicidade.

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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