O medo de não se encontrar

Acho que todo mundo já sentiu esse tipo de medo, mas principalmente aquelas pessoas que amam algo “incomum”. Não sei se os grandes amantes das artes passavam por isso nos séculos anteriores, mas é algo que vejo muito hoje em dia. Viver de música, literatura, cinema, pintura, ou qualquer outra arte não é tarefa fácil. São poucos os que se destacam e encontram um palquinho para brilhar em meio à multidão.

Realmente não sei dizer se Machado de Assis e Clarice Lispector passavam por esse tipo de questionamento, mas hoje em dia conheço algumas pessoas que sofrem do temido “medo de não se encontrar”. E não digo isso apenas para os amantes das artes. Esse parece ser um medo geral mesmo. Eu, como grande amante da literatura, já quis viver apenas disso. É normal. Tem gente que quer viver do teatro, outros da música, e por ai vai… Acontece que isso não é tão simples assim.

Esses mercados são sim complicados, concorridos, e não é todo mundo que consegue se destacar. Com o passar do tempo comecei a deixar essa ideia de lado, levar a escrita em paralelo, e focar em algo que poderia ser o meu ganha pão. Às vezes, temos que colocar os pés no chão e entender que nem tudo o que queremos se torna realidade no momento que desejamos. Não digo que devemos desistir de viver do cinema ou da música, mas é preciso entender que nesses ramos toda dedicação ainda é pouco e, até alcançar tudo o que queremos, precisamos aprender a focar em outras coisas também.

Acredito que é aqui que nasce o medo de não se encontrar. Se sou apaixonada pela música, como vou me satisfazer trabalhando com vendas? Em alguns momentos pode parecer desesperador. É difícil tentar se encaixar em algo que não parece ter o formato da nossa mente. É como tentar encaixar um círculo num quadrado. Simplesmente não dá certo. A minha dica é respirar, procurar algo que você tenha prazer em fazer e aprender a, pelo menos por enquanto, levar sua paixão como um hobby – mas sem deixar a seriedade de lado.

De vez em quando confesso que o medo de não se encontrar ainda vai bater, dando aquele desespero de “o que estou fazendo com a minha vida?”. É normal e posso garantir que tem muita gente perdida por ai. Gente que lá pelos seus 30 anos ainda têm sonhos para tirar do papel. Relaxa, você não é o único.

Não importa se o seu sonho é ser artista de circo ou o Tom Jobim dessa geração, uma coisa que eu preciso que você saiba é: reconhecimento é relativo. Às vezes, ficamos sonhando que milhares de pessoas saibam quem somos, ouçam nossas músicas, leiam nossas textos, assistam aos nossos filmes, mas acho que o melhor tipo de reconhecimento mora dentro de nós mesmos. É reconhecer que estamos dando o nosso melhor, independente dos obstáculos. É reconhecer que estamos lutando por um sonho, mesmo que ele seja o mais incomum possível. É reconhecer que, mesmo com todas as adversidades, não desistimos nunca da nossa paixão.

Então, a verdade é que você já se encontrou, você só precisa se livrar desse medo dos outros não te reconhecerem. Você mesmo já se reconhece, e isso é o mais importante. Sua paixão está visível para você mesmo e para quem ama o que você faz. Não precisa ter medo, precisa apenas ter coragem e persistência . O grande problema não está em não conseguir viver financeiramente de uma paixão, mas em não conseguir encontrar algo que te mova todos os dias. E isso você já encontrou.

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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