Por um mundo com mais amores à moda antiga

GONE WITH THE WIND, Clark Gable, Vivien Leigh, 1939.

Um texto recompensa para uma pessoa mais do que especial que me ajudou a tornar “Lola & Benjamin” realidade! Um trechinho será publicado no livro ❤

Para nós, que vivemos na era da instantaneidade, é esquisito pensar que um dia os relacionamentos já foram mais lentos e duradouros. Não sei se isso é possível, porém, por mais que eu goste muito do meu mundo, às vezes sinto falta de uma época que nunca nem tive a oportunidade de vivenciar.

Mais do que isso, há uma história que me inspira muito quando o assunto é amor. Minha avó é uma boa contadora de histórias, e é claro que já me falou várias vezes sobre como conheceu vovô, como foi o seu casamento e todos os anos que passaram juntos.

Estamos em São Paulo por volta de 1949. Vovô avista vovó. Ele já sabia que ela era a escolhida. Vai atrás dela, se conhecem, e a pede em namoro com uma caixinha de chocolates da Kopenhagen. Alguns anos mais tarde se casam e começam uma vida juntos. O que vem depois todo mundo já sabe…

Acho que o mais importante da história de amor deles é perceber como as coisas aconteciam de maneira diferente, e como os jovens não tinham que lidar com a angústia da mensagem não respondida, o sumiço repentino, o medo de perder o outro devido à possibilidade de ficar com várias pessoas ao mesmo tempo… De certa forma, me parece que as coisas eram mais consistentes. Se as pessoas se gostavam, elas simplesmente ficavam juntas. Não existia essa coisa de “agora não”, “vou enrolar um pouco mais”. Afinal, por mais que a flexibilidade tenha as suas vantagens, às vezes atrapalha muito também.

Talvez seja uma visão muito romantizada da minha parte, mas acredito que viver na época da minha avó tenha sido muito bom por vários motivos. Nós, jovens do século 21, que muitas vezes temos que lidar com angústias e receios tão banais em relação ao amor, às vezes gostaríamos de ter a chance de viver num mundo em que se relacionar com alguém não fosse algo tão complicado em alguns momentos.

Acho que, na verdade, o que eu realmente quero dizer é que se eu pudesse, escolheria misturar tudo. Por um lado gosto muito da liberdade que conquistamos e, principalmente, valorizo muito a independência da mulher. Mas, ao mesmo tempo, acho que nos perdemos um pouco. Aonde foram parar os relacionamentos duradouros? Aonde foi parar a vontade de ter alguém por mais do que uma noite?

Talvez, se soubéssemos dosar tudo o que conquistamos com aquilo que os meus avós viveram, então chegaríamos na fórmula perfeita dos relacionamentos. Na minha opinião, o amor à moda antiga ainda tem as suas vantagens e belezas. Não posso falar pelos outros jovens da minha geração, mas eu agradeço todos os dias por ter uma avó tão inspiradora, que nunca me deixa esquecer o verdadeiro significado do que é passar uma vida inteira com alguém que amamos e nos ama de volta. Afinal, passar uma vida com alguém é isso: amar e ser amado de volta. Sem complicações. Sem tantas dúvidas e receios. Apenas um bom amor à moda antiga ao som de “As Time Goes By”.

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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