Por que tantos jovens não sabem o que querem fazer?

É uma impressão errada da minha parte ou os jovens sabem cada vez menos o que querem fazer com suas vidas? Conheço desde pessoas iniciantes que estão se descobrindo pessoal e profissionalmente, até aqueles que já passaram dos trinta e poucos anos e possuem mais experiência de vida.

Porém, independente da fase de vida, me parece que uma grande maioria desses indivíduos ainda se sente perdido. Se perguntar para o meu colega de trabalho se ele está satisfeito, se já chegou no lugar que sempre sonhou, a resposta mais provável é que ele ainda não sabe o que realmente quer fazer.

Fico me questionando os motivos disso. Será que é o fato de termos um leque de possibilidades enorme que gera uma angústia em todos nós? Ou será que idealizamos tanto um emprego dos sonhos que nos possibilite fazer exatamente o que amamos, que todo o resto se torna frustrante?

Acredito que seja um pouco das duas coisas. A verdade é que a minha geração se cobra muito no sentido de trabalhar com algo que realmente tenha um significado, algo que motive e gere paixão, muita paixão. Somos uma geração de jovens que não veem sentido em trabalhar com algo que não amam e acho que é daí que nascem todas essas dúvidas e frustrações.

Nossos pais e avós não tinham tantas possibilidades como nós. As coisas eram mais planejadas e era mais difícil se desviar do plano inicial. Hoje, tenho a sensação de que tudo pode mudar a qualquer instante. Fazemos planos de intercâmbios, empregos no exterior, mudança de faculdade, morar sozinho, e por aí vai… Mas nada é permanente. A verdade é que, de certa forma, tudo é muito efêmero. Não criamos muitas raízes, nos desprendemos com mais facilidade, decidimos ir embora com menos receio de deixar tudo para trás.

Não acho isso tudo ruim, mas, ao mesmo tempo, tenho um pouco de pena de nós, jovens, que de alguma forma sentimos que uma parte de nós nunca é preenchida por completo. Esse vazio que causa o maior rebuliço. Essas inúmeras possibilidades que nos deixam meio sem rumo de vez em quando. Esse modelo de trabalho que, muitas vezes, parece mais uma grande obrigação que nunca nos levará às nossas verdadeiras paixões.

Bom, mas quem sabe esse vazio seja algo que tenhamos que carregar pelo resto de nossas vidas. Tenho certeza de que alguns de nós encontrarão uma forma de preenchê-lo e se sentirão plenos e realizados. Outros, no entanto, talvez simplesmente tenham que encarar o trabalho como o que ele realmente é: uma parte de nossas vidas e não necessariamente uma paixão. Sorte daqueles que conseguirem unir esses dois universos, pois tenho certeza de que essa é uma das maiores realizações do ser humano.

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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