Um balanço sobre as nossas resoluções de ano novo

Todo final de ano é a mesma coisa: ficamos assustados quando nos damos conta de que os shoppings já estão com enormes decorações natalinas; ficamos com a impressão de que os últimos 12 meses passaram rápido demais; ficamos animados para reunir a família em volta de uma ceia deliciosa de natal; e ficamos ainda mais ansiosos para a chegada do novo ano e todas as suas resoluções que temos fé de que serão cumpridas.

A verdade é que o “Ano Novo” nada mais é do que uma convenção humana. Alguém decidiu repartir o tempo em 12 meses, cada um com 30 dias, estabelecendo que no último haveria uma espécie de ritual no qual as pessoas fazem inúmeras resoluções de ano novo. Ano chega, ano se vai, e eu nunca tinha realizado muitas das minhas promessas pessoais de fim de ano – ou foram tão insignificantes que eu nem me lembro delas agora. Mas, finalmente, tudo mudou em 2016.

Em janeiro desse ano fiz uma viagem cheia de descobertas e um dos lugares que visitei foi Roma. Lá, joguei a tradicional moedinha na Fontana Di Trevi e pedi a coisa que era mais importante para mim naquele momento. E não é que o pedido se realizou?

Se foi a Fontana Di Trevi ou não, nunca saberei. Mas o que eu sei é que na passagem de ano para 2016 não fiz nenhuma grande resolução e, por incrível que pareça, tive um dos melhores anos da minha vida. Até hoje, quando me perguntavam sobre um ano realmente incrível da minha vida, eu não sabia responder. Tinham alguns melhores, outros piores, mas nenhum que eu pudesse me gabar que tinha sido tão bom assim.

Pois é, esse ano chegou. Se eu tivesse que colocar em números, diria que 2016 foi 90% incrível – tanto no campo profissional como pessoal. Em ambas as esferas coisas maravilhosas me aconteceram, coisas que eu não estava esperando, coisas que me surpreenderam da maneira mais positiva possível.

Se eu pudesse resumir 2016 em uma única palavra, diria: descobertas. Eu descobri realmente MUITAS coisas. Descobri como me dedicar à escrita e fazer meus sonhos se tornarem realidade; descobri que tenho menos amigos do que um ano atrás, mas os que tenho são muito bons; descobri novas e surpreendentes formas da palavra amor; descobri que muitas vezes crescer implica em sofrimento para si próprio e para pessoas que amamos; descobri que é normal não ter certeza sobre absolutamente tudo (e que dificilmente teremos essa certeza mesmo aos 50 anos); descobri que todo coração quebrado se reconstrói, mas as marcas ficam para sempre; descobri que a distância não diminui grandes amizades; descobri que é realmente difícil para os pais verem os seus filhos voando sozinhos; descobri que ainda há muitas coisas que eu quero fazer e nem sempre vou conseguir fazer tudo no meu timing, mas que o mais importante é não desistir NUNCA.

Mais do que tudo, descobri que estou descobrindo coisas novas o tempo todo. Descobri que estou em constante reconstrução, que não estou 100% satisfeita com a minha vida agora e, provavelmente, nunca estarei. Isso porque estamos sempre em busca de algo, temos sempre algum sonho não realizado na nossa listinha e, cada vez mais, descobrimos que o mundo não é perfeito. E tudo bem… Isso é completamente normal.

Afinal de contas, foi com todos essa balanço que me dei conta de que esse ano não estou tão assustada que os shoppings já estejam todos decorados com enormes Papais Noéis. Foi mais um ano que passou e, acreditem se quiserem, não acho que ele passou tão rápido assim como os anteriores. Conquistei tantas coisas, realizei tantos projetos, amadureci a minha visão sobre tantos aspectos, que tenho a impressão de que foram mais do que 365 dias.

É… Realmente o Ano Novo é apenas uma convenção. Descobri que as resoluções estão dentro de nós em qualquer data do ano. Não precisamos ficar esperando o dia 31 de dezembro para nos levantarmos da cadeira e começarmos a viver a vida que sempre sonhamos. Mas também não tem problema fazer aquela listinha de desejos todo fim de ano, contanto que você realmente se esforce para tirar tudo do papel. A verdade é que, seja aqui ou Fontana Di Trevi, mesmo com toda a ajudinha dos astros, as mudanças e descobertas de nossas vidas dependem em grande parte apenas de nós mesmos. 

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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