Para você, o que significa ser um pessoa vivida?

Após uma conversa com amigos, me peguei o dia todo pensando no seguinte questionamento: o que é ser uma pessoa vivida? Afinal, o que isso significa?

Por mais que seja uma pergunta relativa, cheguei à conclusão de que ser uma pessoa vivida não significa fazer muitas coisas ou conhecer muitos lugares e pessoas. Não necessariamente alguém que teve a oportunidade de viajar pelo mundo, foi a muitas festas, conheceu inúmeras pessoas, é alguém vivido. É claro que você pode fazer tudo isso e ser uma pessoa vivida, mas uma coisa não é obrigatoriamente consequência da outra.

Ficou claro para mim que ser vivido não significa fazer muitas coisas, significa experienciar muitas coisas. Há uma grande diferença entre simplesmente viajar pelo mundo para postar no Instagram e tornar essa viagem enriquecedora de tal forma que a sua visão sobre a vida muda complemente quando você volta pra casa. Há uma grande diferença entre conhecer inúmeras pessoas e essas pessoas de fato significarem algo tão forte para você que elas são capazes de te transformarem.

Conheço muita gente que não teve a oportunidade de rodar o mundo e fazer tantas coisas “incríveis”, mas não deixam de ser indivíduos realmente muito vividos. Isso porque dentro das experiências que tiveram, eles realmente viveram e tiraram algum aprendizado daquilo. Muitas vezes, essas pessoas estavam em seus quartos num sábado à noite enquanto todos os seus amigos iam para a balada. Essas pessoas viam filmes, liam livros, ou matavam o tempo conversando com quem era importante para elas. E foi dessa forma que elas também adquiriram uma enorme bagagem e se tornaram vividos. Tão vividos quanto qualquer um que já explorou a Europa inteira.

Posso dizer por mim mesma que os momentos que mais me proporcionaram autoconhecimento e de fato me tornaram uma pessoa muito mais vivida foram aqueles em que eu enfrentei uma grande dificuldade, briguei com alguém querido, perdi uma pessoa amada, me questionei sobre os rumos da minha vida, chorei na calada da noite por um sonho que teimava em não se realizar.

Realmente posso não ter vivido nem metade das coisas que gostaria e que muitos por ai já viveram, mas durante os meus 23 anos o meu coração já passou por poucas e boas, já enfrentei de peito cheio coisas que nunca achei veria acontecer na minha vida e, até hoje, todos os dias é uma enorme batalha para mim. Uma batalha em direção a alguns sonhos que parecem cada vez mais distantes, uma batalha rumo à marca que almejo deixar nesse mundo quando meu coração parar de bater. Uma batalha árdua, mas que me faz crescer mais e mais todos os dias e me dá a certeza de que pessoas vividas são aquelas que sentem, experienciam, tiram aprendizados, refletem e não deixam a vida se basear numa viagem à Europa através da tela do Instagram.

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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