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Carreira

Além de trabalhar, o que podemos fazer por 8 horas seguidas?

Não faz muito tempo que li um texto sobre o sistema de trabalho que existe na maioria dos lugares ao redor do mundo. Um sistema no qual trabalhamos 8 horas por dia ou mais, muitas vezes até aos fins de semana. Um sistema ainda rígido e inflexível em muitos sentidos, que não está preparado para coisas simples, como o home office.

O grande questionamento que me veio foi: o dia tem 24h. Dessas 24h passamos uma média de 8h dormindo (no mundo ideal) e 8h trabalhando. Sobram, então, apenas mais 8h, sendo que perdemos por volta de 2h por dia no trânsito e mais umas 2h nos arrumando para ir ao trabalho e fazendo coisas básicas como tomar banho e jantar.

Resumindo: quantas horas nos restam para fazermos coisas que queremos e cultivarmos nossos hobbies ? Acredito que entre 2 e 3 horas por dia no máximo. Isso quando não estamos exaustos e só conseguimos ficar parados em frente à televisão pensando que o dia seguinte já está para começar.

Como você cuida das horas do seu dia?

Posso dizer por mim mesma que muitas vezes chego do trabalho tão cansada que nem ler um livro consigo. Falta energia e tempo para fazer o que gosto quando chego em casa após 8h de trabalho e 2h ou mais no trânsito. Então, vem a pergunta: por que trabalhar é a única coisa que podemos fazer por 8h seguidas? Por que o sistema trabalhista ainda é tão atrasado que não enxerga que mais pode ser menos?

O texto que li trazia justamente essa questão: dessas 8h que estamos no escritório trabalhando, uma média de 2h são desperdiçadas com redes sociais ou papo entre os colegas de trabalho. O cérebro não aguenta a exaustão e as 8h de trabalho acabam rendendo apenas por volta de 6h.

Enquanto isso, em alguns lugares do mundo, como a Suécia, já estão sendo testadas cargas horárias mais leves de 6h por dia, sem diminuição salarial. Os resultados são positivos: empregados mais dispostos, produtivos e felizes. Isso simplesmente porque eles têm mais tempo para si próprios.

Não precisam sair correndo do escritório para enfrentar o trânsito e chegar a tempo à aula da academia, além de se sentirem mais dispostos porque descansam mais e conseguem praticar atividades que gostam nas horas livres.

Lentamente caminhamos em direção às mudanças

A notícia boa é que em países em que essa mentalidade ainda não evoluiu, temos uma geração de jovens que está lutando por mudanças – aos poucos, mas com grandes feitos. Já é possível ver diversos modelos empresariais que apresentam uma flexibilidade muito maior, permitindo ao ser humano trabalhar e viver ao mesmo tempo.

Essa revolução ainda é embrionária, mas já transforma a vida de muitos ao redor do mundo. Mesmo assim, não há como negar que grande parte da população ainda sofre com um dilema ultrapassado: ficar mais uma hora no escritório ou ir para a aula de Yoga? Esse questionamento, na minha opinião, não deveria nem existir. É claro que você deve ir à aula de Yoga descansar a sua mente – e o seu trabalho deveria permitir isso.

Termino esse texto com a frase que mais me impactou e me fez refletir sobre o que eu quero para mim nos próximos anos: trabalhar mais de 8h por dia ou voltar a ter o prazer de ler o meu livro preferido em plena quarta-feira à noite?

“Uma das coisas mais tristes é que a única coisa que um homem pode fazer oito horas por dia, dia após dia, é trabalhar. Não se pode comer oito horas por dia, nem beber oito horas por dia, nem fazer amor oito horas – tudo o que se pode fazer durante oito horas é trabalhar. É esse o motivo pelo qual o homem torna, a si e a todos os demais, infelizes e miseráveis.” – William Faulkner

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Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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