Os efeitos nocivos de uma sociedade regida pelo ódio e a manipulação

Estamos tão preocupados com os nossos problemas do dia a dia que, às vezes, nos esquecemos de que o mundo é enorme. O trânsito é caótico, as cobranças são absurdas, a pressão externa faz nossas cabeças latejarem, mas do outro lado do mundo há pessoas inocentes sendo mortas num conflito sem fim na Síria. Há o terrorismo absurdo do Estado Islâmico amedrontando gente por todos os cantos. Há uma guerra eterna se desenrolando dia após dia entre Israel e Palestina. Há grandes potências como Rússia e Estados Unidos travando uma disputa ainda embrionária que pode decidir o destino de todos ao redor do mundo. Há uma operação anticorrupção gigantesca aqui no Brasil deflagrando verdades imundas que foram escondidas por muitos anos. Há MUITA coisa acontecendo e essa é apenas uma parcela que chega até nós.

É tanta tragédia nos cercando que, muitas vezes, preferimos nos alienar disso tudo. Posso dizer por mim mesma que toda vez que abro o portal de notícias me sinto mal, egoísta e ingrata. Toda vez que vejo tanta coisa ruim acontecendo pelo mundo, sinto que meus problemas não são nada perto de tanta gente sendo morta ou obrigada a fugir de um terror sem fim.

Fico completamente abismada, me questionando… Que rumo é esse que estamos tomando? O que estamos fazendo com as nossas vidas? E, então, me lembro de que num planeta com bilhões de habitantes, seria muita inocência da minha parte querer que todos fossem pacíficos. Seria muita inocência da minha parte sonhar com um lugar justo e tolerante em sua totalidade. Coisas ruin sempre acontecerão e, talvez, o grande significado dessas guerras e ódio seja apenas um: nos ensinar a sermos mais altruístas. Nos ensinar que a vida vai muito além do trânsito caótico que pegamos todos os dias para ir ao trabalho e que tem muita coisa mais importante acontecendo por ai, seja bem ao nosso lado ou em outra parte do planeta.

Confesso que quando penso muito no assunto, fico meio maluca, pois sei que sou apenas mais uma formiguinha vivendo sob as ordens de pessoas que estão no mais alto poder, definindo nossos rumos e o que devemos ou não devemos saber. E é com isso que chego à conclusão de que tem muita, mas muita coisa nebulosa ao nosso redor. Tem muita coisa que acontece e não fazemos ideia de que está acontecendo, me deixando a impressão de que nós, a massa, somos grandes marionetes num teatro do qual nem sabemos que fazemos parte. E talvez seja por isso que todos esses conflitos me deixem tão angustiada: sei que eles estão acontecendo e são muito maiores do que todos os meus problemas juntos, mas sei que eles estão muito acima de mim e, infelizmente, não está em minhas mãos o rumo de muita coisa que acontece ao redor do planeta. Pior ainda: só vejo aquilo que a mídia e as pessoas lá do alto decidem que eu posso ver, não conheço os bastidores por trás desse teatro do qual pareço ser mera figurante.

Fazendo uma boa analogia, às vezes sinto que vivemos num mundo como o de Westworld, em que não somos nada além de robôs que recebem apenas as informações que nossos superiores acreditam que devem chegar até nós. Quer dizer, não foi exatamente isso que aconteceu durante todos esses anos de corrupção no Brasil? Fomos completamente manipulados e feitos de bobos diante de uma corja de políticos que simplesmente riam de nós enquanto bancávamos os seus luxos. A verdade demorou (e MUITO) para chegar até nós e tenho certeza de que o mesmo acontece em outras esferas da vida…

A verdade é que estamos tão preocupados com os nossos problemas do dia a dia que, às vezes, nos esquecemos de que tudo isso está acontecendo ao nosso redor. Mas será que deveríamos nos deixar bombardear o tempo todo pelo mal que permeia o mundo? Será que a ignorância é uma certa benção em alguns momentos? Caso contrário, não conseguiríamos ter um minuto de paz. Realmente, o equilíbrio é tudo: se alienar completamente é uma péssima ideia, mas se deixar sufocar por todos esses questionamentos também não é saudável. A verdade (muitas vezes difícil de aceitar) é que o ser humano não está pronto para algumas coisas – se soubéssemos tudo que acontece em todas as estâncias da vida, provavelmente haveria um colapso mundial. E, por mais irônico que pareça, a bolha que nos protege, proporcionando a estabilidade que precisamos para viver, é a mesma que nos impede de compreender por inteiro a realidade à nossa volta.

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Escrito por

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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