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Comportamento

3 coisas incrivelmente simples que aprendi viajando pelo Peru

Começo este texto tentando fazer uma promessa: que boa parte do que escreverei aqui não será clichê.

Recentemente passei 10 dias no Peru. Foi uma viagem muito planejada. Sabia que seria interessante e tinha bastante vontade de conhecer o país, mas nunca esteve entre o Top 5 de destinos mais sonhados da minha listinha.

Foi bom não criar tantas expectativas, pois me surpreendi ainda mais, voltando para o Brasil realmente transformada.

Iniciamos a viagem por Lima, que já foi bem interessante, porém, me lembrou muito São Paulo em vários aspectos – e para quem não sabe, não sou muito fã de São Paulo. Uma das coisas que mais gostei foi o centro histórico, que é bem conservado (diferente de SP).

Centro histórico de Lima, Peru

Seguimos para Cusco, onde passamos a maior parte da viagem e foi a partir daí que a experiência começou a se intensificar um pouco mais. Todos os passeios eram muito ricos em história – eu podia ver os olhos dos guias brilhando e seus corações pulsando mais forte enquanto contavam cada detalhe dos locais que visitávamos.

Foi como uma aula de história, mas na qual eu podia visitar os lugares sobre os quais estava aprendendo e realmente sentir toda aquela energia muito de perto.

Ao longo da viagem, usei um dos meus Diários de Viagens para escrever diversas percepções e aprendizados, o que me ajudava bastante a organizar tudo o que conhecia a vivia.

Uma das belezas que os Incas nos deixaram – Moray

Chegando ao Brasil tive a certeza de que o Peru é uma para obrigatória para qualquer viajante. Fiquei feliz por não ter criado tantas expectativas porque isso deixou a viagem mais emocionante e surpreendente. Voltei de fato muito reflexiva, mas também extremamente energizada.

E por isso achei que valia a pena compartilhar em palavras (e em algumas imagens) um pouco do que aprendi por lá e carregarei comigo pelo resto da vida – coisas simples, mas extremamente importantes.

1. Valorize as suas raízes

Nunca tive contato com um povo tão orgulhoso de seus antepassados. Os peruanos falam de boca cheia dos Incas – e com razão, porque era um povo extremamente inteligente e avançado. A cada passeio que fazíamos, descobríamos algo incrível que os Incas construíram e deixaram de legado para o Peru.

Além disso, o fato dos espanhóis terem destruído boa parte da cultura Inca parece tornar esse sentimento de pertencimento e orgulho ainda mais forte para os peruanos.


Museu Nacional de Arqueologia, Antropologia e História – Lima, Peru

Isso tudo me fez pensar como nunca vi o mesmo tipo de atitude no Brasil e em outros lugares pelo mundo também. Eu mesma pouco valorizo os meus antepassados, a história do meu país. Se me perguntarem, pouco sei falar sobre o tema.

Não sou peruana, mas saí do país cheia de orgulho desse povo e de tudo o que eles construíram. É realmente inspirador.

Outro ponto de reflexão que tive foi sobre como eu mesma desvalorizo a cidade em que moro. Não gosto de muita coisa em São Paulo e provavelmente continuarei não gostando, mas quando viajamos é normal fazer comparações.

Em vários momentos da viagem me pegava pensando: “Poxa, isso teria em São Paulo!”. E realmente! São Paulo é uma cidade enorme, cheia de oportunidades, entretenimento, uma das melhores gastronomias do mundo, e muito mais. Sem contar a hospitalidade brasileira, que realmente acho que não exista igual.

Por incrível que pareça, as coisas que eu não gostava no Peru e identificava que no meu país eram melhores me fizeram valorizar um pouco mais a cidade em que moro.

Isso nos faz perceber que, às vezes, reclamamos de boca cheia – principalmente porque estamos muito acostumados à nossa realidade e nem nos damos conta de que o nosso contexto não necessariamente se repete em outras partes do mundo.

2. Valorize as possibilidades que a vida te proporciona

Durante a viagem visitei vários povoados, sendo um deles Chinchero. Lá, as mulheres locais nos ensinaram sobre os produtos feitos com pelo de alpacas. Foi muito interessante, mas durante o discurso delas pude perceber como aquela realidade em que viviam era de certa forma “limitada”.

Mulher típica de Chinchero dando explicação sobre produtos

Praticamente já sabiam o que fariam pelo resto da vida assim que nasciam. Iriam produzir produtos com pelo de alpacas, vender para os turistas, se casar, ter filhos e cuidar da família.

Isso me deixou aflita. Fiquei pensando em quantas possibilidades eu tenho abertas diante de mim e como meu futuro é até meio incerto por conta disso. A vida daquelas mulheres é exatamente o oposto.

Não digo que sejam infelizes, mas será que enxergam que as possibilidades são infinitas e que aquela realidade não necessariamente precisa ser a realidade delas?

3. Não viaje para postar, viaje para viver

Acho que essa foi uma das primeiras viagens nos últimos tempos em que não postei absolutamente nada nas redes sociais.

Saí de São Paulo com essa certeza. Não queria compartilhar com ninguém além de mim mesma aquela experiência. E foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.

Não estar preocupada com qual foto está na melhor posição ou qual look fica mais bonito no meio da montanha é realmente libertador. E tirei um aprendizado valioso disso tudo.

Falando especificamente do Peru, não acredito que seja um lugar para sair postando e mostrando ao mundo que a sua viagem está incrível – e vi muita gente fazendo isso. Vi uma penca de pessoas mais preocupadas em tirar a foto perfeita em Machu Picchu do que em realmente sentir o lugar e toda a sua história.

Machu Picchu – energia e história diferentes de tudo que existe no mundo

Isso tudo é uma opinião bem pessoal e pode ser que muitos não concordem, mas que eu levarei comigo pelo resto da vida. Acho que dificilmente me tornarei uma pessoa que compartilha suas viagens nas redes sociais como se isso fosse tornar a experiência mais rica.

O Peru me ensinou que as viagens devem ser sentidas. E isso nós fazemos de forma muito melhor sem os nossos smartphones em mãos o tempo todo.

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Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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