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Como escrever um livro: passo a passo para realizar o seu sonho
Literatura e Escrita

Como escrever um livro: passo a passo para realizar o seu sonho

Escrever sempre foi algo natural para mim. Quando introduzi essa atividade no meu dia a dia, lá em 2014, era simplesmente um hobby. Quando alguém publica, achamos que essa pessoa tem total domínio de como escrever um livro, mas vou confessar algo aqui: fui aprendendo no meio do processo.

Quando escrevi o meu primeiro livro, simplesmente escrevi — eu realmente não tinha clareza das melhores técnicas ou se existia um passo a passo ideal. A história apenas existia dentro de mim.

Hoje, algumas pessoas me procuram para perguntar como foi o processo de escrever e publicar um livro e sinto que tenho muito mais consciência do que funciona ou não.

Existem muitos escritores escondidos por aí. Muita gente que, assim como eu era alguns anos atrás, não acredita no próprio potencial e acha que publicar livros é coisa de gente famosa — e acabam deixando ótimas histórias na imaginação ou na gaveta.

Foi pensando nisso que resolvi compartilhar por aqui algumas dicas baseadas nas minhas experiências que podem ser úteis para quem tem vontade de mergulhar nessa jornada.

Escrever e publicar são coisas distintas e que acontecem em momentos diferentes. Neste artigo vamos explorar algumas dicas para a primeira etapa: escrever.

Em um segundo momento, pretendo trazer um texto mais completo sobre como publicar um livro – quem não quiser perder, basta assinar a newsletter do blog clicando aqui!

Passo a passo: entenda como começar a escrever um livro

Quero iniciar desmistificando a ideia de que existe uma receita ideal. Eu não acredito nisso. Escritores são diferentes – cada um tem um estilo e prefere trabalhar de uma forma, portanto, não podemos criar limitações.

Fique tranquilo, se você não sabe nem por onde começar, esse passo a passo pode ser ideal, mas não se prenda totalmente a ele. Saiba que você tem a liberdade de viver o processo de escrever um livro da forma que for mais adequada.

1. Identifique o propósito do seu livro

A primeira coisa que gosto de ter em mente antes de sair escrevendo um livro é: qual é o objetivo da obra? Afinal, por que ela existe?

Vou dar um exemplo bem prático para ficar mais claro.

Quando eu decidi escrever “Lola & Benjamin” meu objetivo era criar um livro sobre relacionamentos contemporâneos que se conectasse verdadeiramente com as pessoas por meio de uma história que elas enxergassem em suas próprias vidas.

Até então eu tinha lido poucos livros que tratavam os relacionamentos como eles realmente são — e queria proporcionar isso aos meus leitores.

Minha vontade era criar uma história na qual eles pudessem se enxergar. Meu objetivo era fazer o leitor refletir o seguinte durante a leitura: “Nossa, eu já passei por isso!”ou “Minha amiga acabou de me contar que isso aconteceu com ela!”.

A história precisava ser muito realista. Nada de romances mirabolantes que só acontecem nos filmes de Hollywood.

Dito isto, antes de começar a escrever, faça essa reflexão e tenha certeza (mesmo que de forma bem macro) do que você quer despertar e alcançar com esse livro.

Isso deve guiar toda a construção da obra, incluindo os personagens, ambientações, referências – enfim, tudo mesmo! É uma boa maneira de se garantir que o livro como um todo estará 100% amarrado.

2. Defina o gênero literário

Assim que você determinar o objetivo do seu livro, chega a hora de entender o gênero literário.

Mas o que é gênero literário?

“Os gêneros literários reúnem um conjunto de obras que apresentam características análogas de forma e conteúdo.” – Fonte: Brasil Escola

Entre eles temos o gênero narrativo, lírico e dramático. Dentro de cada um temos subdivisões que contemplam o romance, crônica, conto, poesia, entre muitos outros.

Esse momento é importante porque irá determinar toda a construção da obra. Um romance, por exemplo, tem elementos muito diferentes do conto.

O importante é entender o que você gosta e tem vontade de escrever e também o que atenderia melhor o objetivo do seu livro.

Voltando ao exemplo prático, no caso de “Lola & Benjamin” era muito óbvio para mim que o livro precisava ser um romance.

Isso porque eu queria realmente conectar os acontecimentos e gerar uma identificação mais duradoura entre o leitor e os personagens. A narrativa mais longa me deu a oportunidade de criar um encadeamento de fatos que contribuiu para a transmissão da mensagem que eu queria construir.

3. Pesquise obras similares

Aqui a ideia não é copiar ou se sentir limitado por obras que possam ser parecidas com a sua. O intuito é inspirar.

Para quem está começando pode ser bom dar uma lida em autores que têm uma escrita semelhante – além da inspiração, é interessante ter clareza sobre quais são as obras que são referência para você.

Quando escrevi “Lola & Benjamin” a minha maior referência eram autores com a escrita simples e fluída, como a Ruth Manus, Martha Medeiros e também uma blogueira chamada Marcella Brafman, que tinha escrito um livro com um tom muito semelhante ao meu.

Ter em mente tais referências me ajudou na construção do meu livro com o meu próprio estilo, principalmente porque me ajudou a quebrar alguns estereótipos de que livro bom é livro difícil de se ler.

4. Construa uma rotina de escrita

Essa é, provavelmente, uma das partes mais difíceis para alguns. Como ter disciplina, sentar na cadeira e de fato escrever?

Acredito que, mais uma vez, não existam receitas perfeitas que funcionem para todos, mas algumas dicas podem ajudar.

Primeiramente, é importante ter consciência também de que o gênero literário provavelmente irá afetar diretamente essa rotina.

No caso dos romances, por exemplo, é importante ter clareza dos personagens antes de iniciar a obra — é claro que podem surgir mudanças no decorrer da escrita, mas o importante é saber a razão daqueles personagens existirem.

Leia também: Como eu escrevi e publiquei um livro antes dos 25 anos

Leve em consideração as variáveis porque elas afetarão a sua rotina e a sua produção.

No geral, as dicas para conseguir escrever com boa frequência são simples:

  • Escolha o horário do dia em que você é mais produtivo
  • Estabeleça algumas metas semanais (tudo bem deixar de escrever um dia e compensar no outro)
  • Não se cobre tanto (ter uma frequência é importante, mas nem sempre estamos nos sentindo bem para escrever — nesses dias, não se culpe por não conseguir colocar as palavras no papel)
  • Anote todo tipo de inspiração em um bloco de notas ou no celular (na hora de escrever, filtre o que realmente pode ser útil — grandes ideias podem surgir quando menos esperamos)
  • Escreva sem medo (não se limite pelo receio de escrever algo ruim ou errado — o momento de lapidação e revisão vem depois)
  • Crie recompensas (para sempre se motivar depois de boas páginas escritas, se dê algumas recompensas para se manter animado e motivado)

Falando mais um pouquinho sobre como foi escrever o meu livro, acho importante ressaltar que foi primordial ter bastante tempo livre para produzir. “Lola & Benjamin” nasceu em uma época em que eu não estava trabalhando e isso fez com que a obra ficasse pronta em poucos meses.

Já no meu segundo livro (spoilers) que sairá em breve, escrevi em meio à rotina meio louca. Foi bem mais difícil e, apesar de menor, demorou mais para sair.

Para alguns, ter tempo demais pode ser ruim — tem gente que adora escrever na madrugada ou sob pressão. No meu caso, quanto mais tempo, mais livre me sinto para rascunhar as ideias e lapidar a obra.

Ainda sobre esse assunto, em uma entrevista para o portal “Nova Escola“, o escritor Milton Hatoum conta um pouquinho sobre sua escrita, deixando claro que, para ele, não existem grandes rituais além de escrever todos os dias:

“Escrevo todos os dias, às vezes por três ou seis horas seguidas, mas sempre corrigindo. Escrever significa reescrever. Não cultuo nenhum ritual. Só preciso estar só e com os dicionários por perto. Geralmente, faço isso durante o dia e fora de casa.” – Milton Hatoum

Já sobre o processo de criação, o amazonense pontua:

“Com relação ao processo, acredito ser melhor deixar que os temas nos persigam, como dizia o escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986). Só começo a escrever quando tenho um esboço do enredo na cabeça. Fico pensando nos conflitos e personagens antes de começar a por no papel. Mas tudo o que escrevi tem alguma relação com minha vida e com as leituras. O passado é a matriz da ficção. O desafio é transformar a memória numa narrativa ficcional. E, para isso, a imaginação e a linguagem são fundamentais. ” – Milton Hatoum

O que nenhuma fórmula sobre como escrever um livro diz: escreva sobre o que você gosta

Uma das coisas que aprendi ao longo dos anos é que se comparar com outros escritores pode ser muito nocivo.

E mais: você não precisa ser o novo Machado de Assis para ter uma escrita boa e relevante.

Cada escritor tem um estilo e um objetivo por meio das suas palavras. Quando digo que você não precisa ser o novo Machado de Assis, quero dizer que não há necessidade de inferiorizar a sua obra por conta da magnitude deste grande escritor.

Leia também: Por um mundo em que todo artista possa viver da sua arte

Escrever com a alma é o que abrirá caminhos em sua carreira de escritor. Pouco adianta escrever de um jeito que não reflete a sua personalidade ou sobre um tema que não desperta nada em você.

Não há dúvidas de que escritor bom é aquele que, de alguma forma, gera conexões genuínas com seus leitores. É aquele capaz de colocar em palavras muito do que as pessoas pensam e sentem, mas não conseguem de fato expressar.

Para gerar tais conexões é preciso, antes de tudo, entender quem você é como escritor, o que quer transmitir e despertar nas pessoas.

Isto definido e alinhado à sua essência, o resto simplesmente acontece naturalmente. Acredite. E simplesmente escreva!

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Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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