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o que eu aprendi com o meu primeiro feedback negativo no trabalho
Carreira

Um relato sincero: o que aprendi com meu primeiro feedback negativo no trabalho

Muita gente já passou por isso. Receber um feedback negativo é bem indigesto.

Independentemente de estar esperando ou não por ele, dificilmente a sensação que fica é boa.

O meu primeiro feedback negativo aconteceu não faz muito tempo e por mais que, de certa forma, eu já esperasse, tinham muitas circunstâncias envolvidas que faziam com que o cenário fosse complexo.

Pensei bastante antes de escrever esse texto e compartilhar com tanta gente um momento particular da minha vida. Acredito que o conteúdo que produzo tem que ser sincero e proporcionar boas reflexões, então tomei coragem para me abrir e, quem sabe, inspirar outras pessoas.

Um feedback negativo é uma mistura de sensações

No meu caso, o problema não era ser uma funcionária ruim ou ter entregas de má qualidade. Eu sempre fui muito comprometida, fiz tudo dentro dos prazos e com uma ótima qualidade.

O problema era desmotivação. O contexto como um todo não me motivava mais e a minha gestão também não colaborava. Aos poucos, isso foi ficando perceptível e, por mais que não afetasse a qualidade das minhas entregas, afetava como eu me relacionava naquele ambiente.


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Eu me lembro de chegar pronta para a reunião de feedback – preparada para expor como a minha gestora não estava me ajudando no meu desenvolvimento e como isso era a causa raiz da minha desmotivação.

Isso tudo era uma desculpa que eu estava dando para mim mesma. Por mais que fosse verdade e a gestão não estivesse sendo das melhores, mesmo que ela me ajudasse a voar lá dentro, eu continuaria desmotivada.

Ela sacou tudo e, após o meu pitch, jogou a real nua e crua na minha cara. As suas palavras ficaram gravadas na minha mente até hoje e acho que carregarei comigo para sempre.

“O problema é que você não gosta do que faz”

Naquele momento eu senti que estava sendo desmascarada, sabe?

Era como se, por muito tempo, eu tentasse enganar todo mundo ao meu redor e finalmente tivesse sido pega.

Senti tudo o que era possível e mais um pouco: raiva, tristeza, angústia, culpa. Chorei alguns litros e depois tomei algumas decisões que mudariam a minha vida.

Não me demiti, mas entendi que era necessário um caminho diferente

A decisão de imediato com certeza seria me demitir. Confesso que pensei nisso algumas vezes, mas nunca tive a coragem, até porque nunca fui muito impulsiva em relação a esse tipo de coisa.

Por um tempo, me lembro de ter tentado me automotivar e mudar algumas posturas, no entanto, não durou muito tempo. Algumas coisas não despendiam só de mim – o contexto era realmente meio complexo e isso também sempre diminuía o meu gás.

Alguns meses depois tomei uma decisão mais definitiva de iniciar a minha transição. Aquele mundo não era mais para mim. Não fazia ideia de qual seria o meu próximo passo, mas tinha certeza de que não era ali.

Quase um ano de muito investimento em networking com pessoas de fora da minha bolha publicitária me fizeram entender algumas possibilidades além do meu universo. Enfim, após muitos meses trabalhando nisso, concretizei a minha transição.


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Em muitos momentos pensei em largar tudo sem ter nada concreto, mas meu lado racional sempre foi mais forte. Se isso foi bom ou ruim, não sei dizer. Apesar de na época não ter conseguido seguir meus instintos, realmente acredito que se desprender daquilo que não te faz bem é importante para abrir novos caminhos.

No fim das contas, os meus caminhos se abriram mesmo assim, então acho que deu certo.

Feedbacks negativos nos fazem crescer mais do que os positivos

Passei por um processo de autoconhecimento muito forte depois que recebi esse feedback. Até então, eu estava meio na inércia. Só reclamava, mas não fazia nada para mudar. Receber aquele “tapa na cara” me fez enxergar que eu não podia continuar tentando enganar todo mundo ao meu redor.

Confesso que fiquei com muita raiva quando ouvi tudo aquilo, porque no fundo que sabia que também tinham muitos problemas de gestão me afetando. No entanto, como já disse anteriormente, mesmo que tudo estivesse indo muito bem, eu teria continuado infeliz.


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Hoje, eu juro que agradeço essa gestora por ter me desmascarado assim, na cara dura. Quando me demiti, tivemos um papo sincero, mas nunca contei para ela como aquele feedback mudou a minha vida (quem sabe ela vai ler isso agora).

Por fim, nos meus últimos dias, outra gestora com a qual lidava mais diretamente no dia a dia, me enviou uma mensagem carinhosa falando sobre a minha saída.

Suas palavras também me tocaram e me ajudaram a fechar aquele ciclo de cabeça erguida.

“Estou muito feliz por você e zero te acho desmotivada. Acho que o fato de você ter outro interesse ou saber que não é isso que você quer, nunca impactou na sua entrega. Acho que impactava como você lidava e trocava com as outras áreas, mas nunca no seu trabalho em si.”

Estava tudo bem ter outros sonhos, outros planos, outras ambições. Ela entendia isso.

Depois de muito tempo com a autoestima lé embaixo e achando que não não era competente o suficiente, receber esse tipo de feedback me tirou um peso das costas.

Saí daquela empresa com a certeza de que a minha passagem por lá tinha sido mais do que necessária. Afinal, os caminhos que tinha decidido trilhar só estavam acontecendo porque toda a minha história me conduziu até ali.

Após o meu último dia, no caminho para casa, chorei. Não era alegria nem tristeza, era alívio – me sentia flutuando. Era alívio por ter vivido tudo aquilo e, enfim, estar abrindo um novo caminho para a minha jornada que ainda estava apenas começando.

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Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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