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Literatura

Como uma Oficina de Escrita pode mudar a vida de um escritor

Vivi momentos muito especiais na Oficina de Escrita que estou concluindo agora em Novembro. Tão especiais que resolvi escrever sobre a experiência com o objetivo de incentivar outros escritores a viverem essa experiência.

Nunca tinha feito nenhum curso focado em escrita. Cheguei lá sem ter ideia do que iria acontecer ao longo de 3 meses.

Descobri que, ao fazer uma Oficina de Escrita, você se coloca em uma posição vulnerável o tempo todo. A dinâmica das aulas gira em torno de ler os seus textos em voz alta e ouvir comentários de todos os alunos, inclusive do professor, que não meu caso é o Marcelino Freire.

É difícil se expor dessa forma, mas vou te contar que faz um bem danado.

Como fazer bom uso das críticas

No começo eu chegava toda confiante, achando que estava arrasando. Logo de cara me lembro de ouvir várias críticas construtivas bem importantes. Um ajuste aqui, uma melhoria ali… Confesso que demorei um pouco para digerir.

Você fica meio incomodado e passa a se questionar sobre tudo o que escreve, mas depois vai absorvendo as críticas e entendendo como trabalhá-las da melhor forma.

Aos poucos, fui entendendo que as críticas eram mais do que necessárias porque faziam parte do processo de aprimoramento da minha escrita. Passei a celebrá-las e usá-las a meu favor, afinal, sem as críticas me dei conta de que ficaria estagnada para sempre.

A importância de encontrar um equilíbrio

Por muito tempo tive dificuldade em equilibrar as críticas que recebia. Sentia que a minha escrita era muito diferente da maioria dos alunos da oficina e ficava atordoada me sentindo péssima.

Conversava com amigos e familiares para desabafar a angústia e tentar descobrir se tinha me enganado brutalmente nos últimos 5 anos em que acreditei ser uma escritora.

Após muitas reflexões, me dei conta de que estava muito fixada em me comparar com os outros. Minha escrita era simples e fluida. Na aula, ouvia os textos elaborados, cheios de analogias e metáforas complexas e me sentia uma idiota.

Passei a julgar tudo o que escrevia de forma muito agressiva. Nada nunca parecia bom.


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Foi preciso um pequeno (longo) processo de autoaceitação para voltar a acreditar em mim mesma. E o interessante é que isso ficou ainda mais forte quando, em uma das últimas aulas, li um texto e Marcelino elogiou como eu tinha colocado os feedbacks em prática e aprimorado várias questões. Reforçou que a minha fortaleza era a simplicidade, mas que tinha conseguido dar um pouco mais de densidade para a escrita.

Fiquei muito feliz. Tinha conseguido manter a minha essência e trabalhar todas as críticas que vinha recebendo de uma forma que o meu texto atingisse um resultado melhor. Foi nesse dia que tive certeza: havia encontrado um equilíbrio essencial para continuar escrevendo e me aprimorando.

Toda escrita inaugura um olhar

Entre os grandes ensinamentos da oficina, alguns surgem com pequenas expressões de Marcelino. Uma, em particular, me marcou muito.

Certo dia, ele comentou: sempre que escrevemos é preciso ter consciência de que um olhar é inaugurado.

Que lindo, me lembro de ter pensado e anotei a frase para não me esquecer. Desde então venho repetindo porque acho que é exatamente esse o papel de um escritor.


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Quando escrevemos, exploramos uma visão de mundo sobre algo, ou seja, há a exposição de um ponto de vista único. Seja por meio do personagem de um romance ou com uma crônica sobre um acontecimento do seu dia a dia, uma inauguração está sendo feita.

Agora, toda vez que coloco as palavras no papel me lembro de que estou lançando um olhar. É uma forma ainda mais poética de encarar todos os meus escritos.

A evolução que acontece na oficina fica para sempre

Por que eu recomendo que todo escritor ou aspirante a escritor faça uma oficina de escrita? Simples, porque são momentos como esse que te farão se expor o suficiente para ouvir críticas realmente construtivas e relevantes.

Seus amigos e familiares muitas vezes terão um viés inconsciente na hora de julgar as suas obras. Eu, particularmente, fico muito feliz quando os meus pais falam bem do que escrevo, mas só boto fé mesmo quando um desconhecido expõe a sua opinião.

Entre os aprendizados que a oficina me deixou, posso citar aqui os principais:

  • Estar preparada ouvir críticas (e nem sempre levá-las ao pé da letra);
  • Saber absorver as críticas e entender como utilizá-las para aprimorar a sua escrita;
  • Aceitar o seu estilo de escrita, a sua essência;
  • Encontrar um equilíbrio entre quem você é como escritora e o mundo exterior.

A oficina foi um importante divisor de águas em minha trajetória. Tanto para o meu desenvolvimento quanto para me aceitar novamente. Se você busca se questionar e ter a oportunidade de se conectar com pessoas apaixonadas pela literatura, faça uma oficina de escrita.

Todo escritor precisa passar por essa experiência e buscar constantemente se tornar uma melhor versão de si mesmo.

DICA: Saiba mais sobre a Oficina de Escrita Criativa que eu fiz no b_arco, em São Paulo, clicando aqui!


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Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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