Anúncios
Carreira

Como planejar o pedido de demissão (ou como evitar se demitir no momento errado)

É muito comum romantizar o ato da demissão, como se sair do emprego que você detesta fosse solucionar todos os seus problemas do dia para a noite. Não é bem assim e, na realidade, por mais que alguns pedidos de demissão sejam bem libertadores, só irão trazer benefícios a longo prazo se forem bem planejados e organizados.

Só tenho 26 anos e já passei por 3 pedidos de demissão. O primeiro em uma agência de publicidade quando eu ainda era estagiária; o segundo em meu primeiro emprego após me formar, também em uma agência de publicidade e o terceiro no último lugar no qual trabalhei como CLT, uma organização sem fins lucrativos.


Leia também: Mais assustador do que abrir mão da estabilidade é abrir mão dos seus sonhos


Posso afirmar com toda certeza que os 3 pedidos foram completamente libertadores. Em nenhum dos casos continuar no emprego em questão era uma possibilidade para mim. Na primeira vez, pedi demissão para começar um novo estágio em uma agência bem maior e mais estruturada, no segundo caso para sair do mundo das agências e no terceiro caso para sair do CLT.

Quando eu conto a história, dá para perceber que foi uma evolução, sabe? Até chegar onde estou hoje, trilhei um caminho diferente do que imaginava quando ingressei na faculdade com 18 anos, mas que acabou fazendo sentido para que eu chegasse aqui.

Qual é o momento certo para se demitir?

Uma pergunta muito complicada, pois cada um tem uma história e objetivos diferentes. De qualquer forma, com certeza posso afirmar que o momento certo não é aquele em que você está desesperado no banheiro do escritório chorando. Respire fundo e coloque a cabeça no lugar antes de tomar qualquer decisão.

É difícil dizer isso, pois sou uma pessoa bastante emocional. Mesmo assim, não recomendo tomar decisões precipitadas baseadas apenas nas emoções. É claro que se for um caso específico que estiver causando danos graves à saúde, não pense duas vezes antes de pedir as contas.


Leia também: A culpa que você sente por estar infeliz no trabalho não é só sua


No entanto, se for possível, faça tudo com calma e planejamento. O momento certo para se demitir não será anunciado por anjos celestiais, mas com certeza será aquele em que você se sente seguro com a sua decisão.

E mesmo quando não estamos 100% seguros, sempre há aquela hora em que sabemos que estamos prontos para assumir tal decisão e todos os riscos que podem vir com ela. Para quem irá mudar de um emprego CLT para outro, o padrão é esperar encontrar uma nova oportunidade. Porém, se você estiver planejando uma mudança mais radical, como empreender ou trabalhar como freelancer, então o planejamento deve ser ainda maior.

Um caso real de demissão: de marketeira CLT à redatora freelancer

Gosto de dar exemplos práticos e realistas quando escrevo meus artigos, então vou contar um pouco sobre como foi o meu pedido de demissão.

Abaixo, você poderá conferir alguns aprendizados e até uma espécie de passo a passo que guiou o meu último processo para pedir as contas e partir para outra.

Pare de reclamar e invista em autoconhecimento

Reclamar é bom demais, né? Vou confessar aqui para vocês que tenho uma fama bem ruim com os meus amigos. Todo mundo me acha reclamona, mas quando eu decido alguma coisa, não há quem me segure, viu?

Por muito tempo fiquei me lamentando pelos cantos sem saber o quer fazer da minha vida. Aquela história de só saber o que você não quer e não fazer nada para entender o que você quer!

Bom, eu vou te dar o direito de reclamar por alguns dias ou até semanas, mas depois disso, bola pra frente. Negativismo ou vitimização não vão te levar a lugar algum! É preciso viver o bode, a raiva e a angústia, mas isso não pode te impedir de sair do lugar.

O tempo que você passa reclamando pode ser investido em cursos de autoconhecimento ou cafés com profissionais inspiradores que irão te fazer entender como dar o próximo passo. Então, não perca mais tempo e comece agora mesmo a fazer um checklist do que você precisa para entender melhor quem é, o que quer e aonde pretende chegar.

Estabeleça prazos (e cumpra-os!)

A maior armadilha que existe é ficar enrolando. Eu já fui uma dessas pessoas que simplesmente não coloca um deadline e fica lá se martirizando indo para o escritório todos os dias sem ver luz no fim do túnel.

Gente, vamos lá, o passo mais importante desse planejamento é colocar datas para as ações. Eu, por exemplo, tinha decretado que até dezembro de 2019 sairia do corporativo, então estava em uma luta contra o tempo para, até lá, me preparar financeiramente e conseguir o maior número de clientes como freela.

Acabei me demitindo bem antes do planejado, ou seja, fui eficiente! Os prazos ajudam a manter o desafio, sabe? É importante para não se acomodar e deixar tudo para depois. No entanto, lembre-se sempre de que as coisas podem mudar ao longo do caminho e não tem problema nenhum fazer mudanças nos prazos estabelecidos.

Esteja pronto para trabalhar muito

Isso aqui se aplica mais a quem quer fazer uma virada, como eu que fui do CLT para a vida freelancer. Por uns 4 meses levei uma jornada dupla, na qual todos os dias ficava 8 horas no escritório e depois trabalhava mais umas 3 horas nos freelas.

Além disso, aos finais de semana também acabava precisando abdicar de sair e ver amigos para passar umas boas horas adiantando demandas. Para isso é essencial ser organizado, caso contrário, você não vai dar conta de tudo e acabará se desapontando consigo mesmo. Recomendo fortemente o uso de planners mensais ou semanais – foi assim que consegui me organizar!

Esse período é ótimo para entender também se você curte trabalhar como freela e se faz sentido esse novo formato!

Você vai saber quando chegar a hora

Parece bobo e clichê, eu sei, mas quando chegar o momento você vai sentir. Como já comentei anteriormente, anjos celestiais não aparecerão em seu quarto em um domingo à noite para dar o aviso sobre quando você deve se demitir.

A não ser que você consiga um outro emprego CLT, a decisão nunca será óbvia. Sempre haverá uma vozinha em sua mente pedindo para que você aguente um pouco mais em prol do dinheiro e da estabilidade.

Comigo foi assim: eu já sabia que tinha chegado o momento, mas estava com dificuldade de digerir a decisão. Ficava me martirizando e adiando. Em uma segunda-feira muito deprimente, tomei a decisão sozinha em minha mesa do escritório. Comuniquei as pessoas da minha família que precisavam saber e marquei a reunião com a minha gestora.

Na quarta-feira, dois dias depois, o alívio. Eu tinha sim alguns clientes fixos, mas mesmo assim continuava insegura. Ao mesmo tempo, algo dentro de mim sinalizava que o momento era aquele. Não havia mais como negar.

Aproveite a sensação

Vamos combinar que tudo fica muito mais leve depois que você se demite? Um peso gigante sai das costas, a vida começa a sorrir, os pássaros cantam e o dia fica ensolarado repentinamente. Era assim que eu me sentia quando pedi a minha última demissão.

Vale a pena aproveitar esse momento. Para mim, foi um mix de coragem e liberdade. Se alguém me perguntasse 1 ano atrás “Você se imagina como freela algum dia?” eu diria que não. Na época, isso nem passava pela minha cabeça.

E não foi que um dia acordei e pensei: “Oba! Vou ser freela!”. Passei por meses e meses de reflexão, conversei com ex-chefes, colegas, amigos, namorado, familiares. Acima de tudo, conversei muito comigo mesma!

Sabe aquele primeiro passo sobre se autoconhecer? Isso é muito importante. Se você não fizer isso direito, com certeza as decisões não serão tão certeiras assim. E tudo bem, mas é sempre mais interessante tomar uma decisão que faça sentido para a sua vida, né? Quando decidi sair das agências para explorar o terceiro setor, eu também não fazia ideia que em menos de 2 anos estaria passando por outra transição. Acontece.


Leia também: Precisamos falar sobre a frustração profissional que nossos jovens estão vivendo


Só descobrimos o que queremos fazer, quando fazemos o que não queremos. E vou te contar: é exatamente isso que traz muitos aprendizados incríveis. Eu jamais estaria aqui se não tivesse trabalhado nas agências e conhecido tantas pessoas ao longo do caminho.

Tudo, absolutamente tudo se torna ensinamento. Mesmo que no momento de dor e desespero, quando a gente só sonha com o “Estou me demitindo!”, pareça impossível enxergar os aprendizados, eu garanto que eles estão lá. São as experiências do passado que nos constroem para o futuro.

Reflita, analise e tome atitudes

O título desse artigo fala sobre como evitar pedir demissão no momento errado. Não gosto de estabelecer regras porque as pessoas são diferentes, mas gosto de repassar o que eu aprendi ao longo dos meus 26 anos.

Quando o assunto é demissão, aprendi que as pessoas adoram palpitar (e nós adoramos ouvir). Muita gente vai falar pra você se demitir sem pensar 2 vezes e outras tentarão te convencer a sair de cabelos brancos do seu emprego atual. O meu conselho é não ouvir tanto o que os outros dizem quando tentam impor algo.

Converse, é claro, pois isso irá abrir a sua mente e clarear as decisões. No entanto, não se apegue totalmente àquilo que as pessoas te dizem. Elas não sabem o que você está passando e, muitas vezes, colocam expectativas demais ou então projetam algo em cima de você.

Pensar pouco e não analisar a situação como um todo pode ser muito nocivo. O mais importante antes de se demitir é ter clareza (pelo menos um pouquinho) dos seus próximos passos e ter segurança para segurar a barra! Assuma sua decisão quando chegar a hora e não deixe ninguém te fazer voltar atrás, mas não se precipite. Sempre leve em conta questões externas e internas e saiba dosar a razão e a emoção.

A gente precisa mesclar cabeça e coração para ser feliz. E na hora de se demitir é a mesma coisa. Pese as decisões e reflita tanto com o seu lado racional quanto emocional. Eu garanto que, dessa forma, as chances de tudo dar certo são maiores ainda.


Continue acompanhando os meus textos sobre carreira no Linkedin. Clique aqui e me siga por lá!

Anúncios

Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *