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Literatura e Escrita

Tudo o que você precisa saber para iniciar a sua carreira de escritor

Não é fácil ser um escritor em uma sociedade que pouco valoriza a arte, não é mesmo? Todo artista já sentiu na pele as dificuldades e apertos que precisam ser ultrapassados para conseguir alcançar os seus sonhos.

Viver da literatura é para poucos. Muitas vezes, nem escritores famosos e ganhadores de prêmios conseguem viver apenas dos livros. É preciso complementar a renda com palestras, cursos e outras atividades.

Infelizmente, o Brasil é um país de poucos leitores, mas considero mais triste ainda o fato de que muita gente tem acesso aos livros e não lê por opção. Falta de tempo, cansaço ou qualquer outra coisa são desculpas para não abrir as páginas mágicas da literatura.

O começo é a parte mais difícil, mas cheia de aprendizados

Todo esse contexto faz com que o início da carreira de um escritor seja um pouco sofrida. Não existem faculdades para se tornar um escritor, nós apenas somos. Começamos a escrever, gostamos e, de repente, nos damos conta de que gostaríamos de ser apenas isso. A frustração vem logo em seguida, quando percebemos que para viver exclusivamente dos livros é preciso ser herdeiro ou algo parecido.

Os caminhos são nebulosos, afinal, a não ser que haja algum escritor no seu círculo de amigos e família, ninguém sabe nos dizer como publicar, como divulgar, com quem falar, aonde ir. Já passei por muitas dessas dúvidas e, hoje, outros questionamentos ainda assolam os meus dias. Mesmo assim, acredito já estar em uma posição na qual posso dar alguns conselhos para quem está um passo atrás, para quem era a Bruna de uns 5 anos atrás.

Já sofri com as dúvidas e frustrações de não saber o que fazer e agora, após alguns tombos, aprendi um pouquinho e me sinto mais segura para ajudar aspirantes a escritores e também para me autodenominar como “escritora”.

Em seguida, vou listar em três etapas alguns aprendizados e dicas para quem está iniciado a carreira de escritor (ou para quem sonha com isso, mas ainda não consegue nem enxergar muito bem as possibilidades)!

ETAPA 1: Autoconhecimento e autoaceitação

Como tudo na vida, a carreira de escritor também vai exigir muito autoconhecimento. Além de se conhecer muito bem, é preciso se aceitar, tarefa difícil em uma sociedade que impõe tantos padrões. Vamos entender um pouco mais sobre essas duas esferas na sequência!

a. Compreenda as suas paixões

Antes de sair falando para todo mundo que você ama escrever e é um escritor, faça um exercício profundo de autoconhecimento. Tenha clareza do que te encanta nessa atividade e por que você vê nela um caminho significativo para trilhar a sua vida.

É preciso ter muita consciência das suas paixões e como elas se desenvolvem dentro de você, porque a partir do momento em que você optar por essa rota, precisará estar pronto para muitas frustrações. E se não houve amor o suficiente, não será uma direção sustentável no longo prazo.

Não estou dizendo isso para você desistir e sim para estimular a reflexão. Você gosta de escrever por diversão esporadicamente ou a escrita realmente te faz sentir vivo de uma forma que nada mais é capaz? Questione, pense e tenha calma.

b. Aceite quem você é

Um dos maiores desafios de um escritor iniciante (pelo menos para mim) é a autoaceitação. A partir do momento que você se conhece o suficiente para assumir para si mesmo que é um escritor, precisa estar pronto para se aceitar.

Pode parecer simples, mas não é. Em uma sociedade que prega tantos padrões e diz que precisamos entrar em uma faculdade, trabalhar em uma grande empresa e ganhar muito dinheiro, ir contra a maré é um desafio enorme.

Como aceitar que você talvez ganhe menos do que muita gente no início da carreira? Como estar preparado para ver seus manuscritos sendo recusados diversas vezes? Como conciliar todas as obrigações com o prazer de escrever?

Mais do que isso, como não ser autocrítico em relação à sua própria escolha? Muitas vezes, em momentos de sofrimento, tudo o que eu queria era ser como os meus amigos. Desejava ser feliz no corporativo e ter prazer em atividades que, para mim, eram uma grande tortura. Eu me culpava por ser quem era, por ter nascido com uma paixão que me levava até um caminho tão complexo.

Apenas a autoaceitação poderá trazer paz para os seus dias e te ajudar a construir uma vida mais leve. Foi quando parei de desejar ser como os outros que encontrei minha maior força na escrita.

c. Tenha coragem de dizer quem você é

Como se não bastassem todos os conflitos internos, ainda há o medo de expor ao mundo quem você é de verdade. O receio é de ser julgado ou não levado a sério.

Quantas vezes disse para as pessoas que era escritora e a resposta que recebi foi “Mas é só isso o que você faz?”. O pensamento está tão enraizado na sociedade que não consigo culpar quem diz isso. Fazem tal pergunta porque não enxergam a carreira de escritor como algo rentável.

Estamos condicionados a acreditar que a única forma de ganhar dinheiro é a tradicional: entre quatro paredes dentro de um escritório. O resto? Hobby, diversão ou qualquer outra coisa. Ser escritor é atividade paralela. Só que não! Ser escritor é coisa séria, mesmo que não seja rentável no início.

A pergunta que gosto de fazer em troca é: quantas pessoas você conhece que escrevem um livro, tocam em um festival de música internacional ou atuam em filmes bacanas? Aposto que não conseguem preencher nem uma mão e vou te explicar as razões: essas pessoas, os artistas, são raras. São poucos os que têm coragem de ir atrás de um sonho incomum, lutar por ele e não se deixarem levar pelos padrões.

Por muito tempo, tive medo de dizer que era escritora. Falava primeiro que era publicitária e trabalhava com marketing. Só depois citava timidamente que tinha um blog e um livro publicado. Perder essa insegurança é essencial para gerar autoconfiança e passar a ser visto como escritor, independentemente do que vão dizer ou pensar.

ETAPA 2: Caminhos práticos

Uma dúvida muito comum que os escritores iniciantes têm é em relação aos caminhos a se seguir e como encontrar aqueles que sejam significativos. Vamos conferir algumas dicas para trabalhar esse processo!

a. O seu diploma não define a sua área de atuação

É bastante comum vermos publicitários e jornalistas seguindo carreira de escritores, mas com certeza isso não é uma regra. Tem muito advogado, arquiteto e administrador que encontra o seu caminho na literatura.

Se você ainda não tiver ingressado na faculdade, vale refletir sobre uma área de atuação que te permita atuar com a escrita, assim você consegue conciliar a renda com a sua paixão. Jornalismo é a rota mais óbvia, mas você também pode seguir por um caminho mais acadêmico, por exemplo.

O importante é refletir sobre o que você gosta de escrever para ganhar dinheiro, porque por alguns anos você não deve gerar tantos lucros com os livros (caso seu objetivo seja escrever livro).


Leia também: Como escrever um livro – passo a passo para realizar o seu sonho


Se você já é formado, seja em jornalismo ou áreas completamente distantes da escrita, talvez seja a hora de começar a pensar em como fazer uma virada profissional. Eu mesma, formada em publicidade, sem nunca ter atuado com marketing de conteúdo profissionalmente, me vi obrigada a fazer cursos e me jogar em um mercado novo.

Não tenha medo de mudar. Independente do seu diploma universitário, vá atrás de cursos de aperfeiçoamento e comece a planejar o passo a passo para fazer a transição aos poucos e com segurança. Se estiver com dificuldades para criar um planejamento, um coach pode ajudar muito nessas horas.

b. Tenha clareza de que você precisa de uma renda

Quando o nosso sonho é trabalhar com a literatura, é difícil se dedicar a outras atividades profissionais. Por muito tempo, foi muito complicado para mim ir todos os dias ao escritório e trabalhar com algo que não se relacionava à escrita.

Mesmo assim, foi importante tanto para adquirir experiência de mercado, como para fazer contatos e juntar uma boa grana. Não se iluda: você precisa ganhar dinheiro para sobreviver, portanto, não pode largar tudo e viver somente de escritos literários.

Escritores iniciantes , como o próprio nome já fiz, são iniciantes e não estabelecidos no mercado. É preciso encontrar uma forma de conciliar a sua renda com o trabalho de escritor. Eu, por exemplo, encontrei um caminho como produtora de conteúdo. Como freelancer, tenho flexibilidade de horários e consigo me dedicar a ganhar dinheiro produzindo conteúdo para os meus clientes e dedicar algumas horas por semana à produção literária.

Vale refletir sobre isso se estiver pensando sobre qual será o seu curso universitário ou também se estiver planejando a sua transição profissional.

Em 2018, entre diversas reflexões sobre os meus próximos passos, enviei um e-mail para a Martha Medeiros, escritora que adoro, contando sobre a minha vida e meus sonhos com a escrita. Por incrível que pareça, ela me respondeu e abaixo está um trechinho do que me disse:

“Pouquíssimos escritores conseguem viver apenas da sua escrita, e mesmo quando conseguem, isso vem com o tempo, muito tempo. Você pode tranquilamente conciliar um emprego e a literatura. Moacyr Scliar era médico,Verissimo era publicitário, Lya Luft tradutora e professora etc.”

O recado está dado, não é mesmo?

c. Converse com profissionais de possíveis áreas de atuação do seu interesse

Ainda está em dúvida sobre qual caminho seguir? Não tem certeza se quer atuar como jornalista em uma revista ou como redator freelancer?

De fato, as possibilidades são muitas e para clarear um pouco a sua cabeça, a minha dica é buscar profissionais que já atuam nas suas áreas de interesse. Se você não conhece ninguém, peça indicações para amigos ou busque no Linkedin (envie uma mensagem se apresentando e perguntando se poderiam conversar sobre determinado assunto).

Fiz isso em todas as minhas transições e foi muito rico. Além de ajudar a entender melhor sobre as possibilidades de caminhos, é uma forma de criar conexões que podem lhe render trabalhos no futuro. Quando fiz a transição das agências de publicidade para o terceiro setor, uma garota que conheci no Linkedin me indicou a vaga para a organização na qual trabalhei por quase 2 anos. Não há como negar que funciona!

ETAPA 3: Aprimorar e divulgar o seu trabalho

Uma das partes mais misteriosas para o escritor iniciante é como aprimorar a sua escrita e de fato colocar o seu trabalho nas ruas. Desafiador é a palavra, mas ao mesmo tempo não deixa de ser emocionante e recompensador!

a. Faça cursos e oficinas

Existem escritores que nunca fizeram um único curso de escrita durante suas vidas e são fenomenais, portanto, não é uma regra (mas eu gosto de indicar). Fazer um curso ou oficina não quer dizer que você é pior do que ninguém, significa que está aberto para aprender.

Algumas pessoas sentirão mais necessidade de vivenciarem esse tipo de experiência. Eu recomendo para todos os tipos de escritores.

Os cursos, presenciais ou online, podem te ajudar de uma maneira mais prática e solucionar diversas dúvidas técnicas. Se você não tem clareza sobre os gêneros, como construir bons personagens e diálogos impactantes, pode ser interessante fazer cursos bem pontuais para solucionar tais questões.

Já para uma troca mais intensa, busque por oficinas de escrita. Normalmente, duram de 3 a 5 meses e são ministradas por escritores que são referência no universo da literatura. É uma forma de se aproximar de pessoas da sua área, receber feedbacks construtivos e se libertar do medo de ler o seu texto em voz alta para outras pessoas. As oficinas de qualidade são ótimas para te ajudar a encontrar (ou revisitar) o seu estilo de escrita e aprimorar o seu dom.

Além disso, muitas vezes é possível conduzir um projeto de um livro ao longo das aulas e receber feedbacks do professor que podem elevar o nível da sua escrita.

b. Leia livros sobre escrita

Outra forma de aprimorar a sua escrita é conhecendo melhor o trabalho de outros escritores, principalmente aqueles que têm mais bagagem do que você.

Gosto de falar sobre o livro “Romancista como Vocação”, de Haruki Murakami – já li e recomendo muito conhecer um pouco melhor sobre a trajetória desse grande escritor e ainda ter acesso a dicas valiosas.

Muita gente também recomenda o “Sobre a Escrita”, de Stephen King, mas confesso que ainda não li. Pelo o que já ouvi falar, me parece que é muito bom também.

Essas são apenas algumas dicas, mas vale procurar por entrevistas e matérias sobre os seus escritores preferidos também, aqueles que geram mais identificação e te inspiram. Com certeza é uma maneira muito simples e eficiente de absorver conhecimentos diversos e evoluir muito.

c. Estude bem sobre as formas de publicação

Se um dos seus objetivos é publicar livros, pense bem antes de tomar uma decisão. Tenha em mente que existem várias formas de se publicar hoje em dia.

Muitos escritores iniciantes optam por editoras prestadoras de serviços, ou seja, aquelas que não bancam a sua publicação e todos os gastos ficam por conta do autor. Fiz isso para publicar o meu primeiro livro e posso dizer que há prós e contras. Rapidamente, posso citar o fato de que um escritor iniciante sabe muito pouco sobre o processo de publicação, portanto, ter uma empresa ajudando nas etapas pode ser interessante.


Leia também: Como publicar um livro – dicas essenciais para fazer boas escolhas


No entanto, essas editoras podem ser muito caras e o serviço pouco satisfatório. Para publicar o meu segundo livro, a experiência foi tão ruim que pedi a rescisão do contrato e a empresa em questão, Meraki Publisher, não cumpriu o que assinou, me deixando com prejuízos até hoje.

É importante, portanto, ficar ligado! A minha dica é estudar bem todas as possibilidades e cruzá-las com o quanto você tem de orçamento para a publicação. Converse com pessoas que já publicaram também para entender sobre o processo e boas práticas.

d. Divulgue o seu trabalho em diferentes canais

Com a democratização do acesso à internet, cada vez mais é possível aumentar o alcance dos conteúdos que postamos nas redes sociais.

Para divulgar ainda mais o seu trabalho, estruture uma estratégia clara e eficaz. Entre as redes sociais existentes hoje, quais são aquelas nas quais você deve investir tempo e dinheiro?

Além das redes sociais, aposte em um blog pessoal e construa uma audiência própria por meio da coleta de emails. Dessa forma, você não fica 100% dependente dos algoritmos das redes sociais.

O Linkedin é, atualmente, uma das melhores (se não for a melhor) rede social para criadores de conteúdo. Nela, eu passei de 700 para mais de 12 mil seguidores em menos de 8 meses! E tudo organicamente. A rede tem maior foco profissional, mas tenho publicado até conteúdos sobre relacionamentos e a receptividade é boa. O importante é encontrar seu nicho e trabalhar focado nisso.

Crie conteúdo de valor e tenha consistência. Os resultados chegam para aqueles que não desistem!


Curtiam? Espero que o conteúdo tenha ajudado! Se quiser continuar acompanhando tudo o que escrevo, me siga também no Linkedin clicando aqui!

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Criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin", acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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